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Pedro Valiati

Pedro Valiati

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Bênção ou Castigo?

bencaoComo castigo por Adão e Eva terem consumido o fruto da árvore do conhecimento do
bem e do mal (o fruto proibido não era a maçã!) - Gênesis 2:17- Deus distribuiu alguns castigos.
Tal passagem já nos daria bases suficientes para o nosso estudo do mês. Primeiro, por proibir o
“consumo”, ou seja, o acesso ao discernimento do bem e do mal, talvez com a intenção de manter
a população na ignorância. Com o tempo, tal proibição começou a “pegar mal”, então, ao invés
de proibir tal conhecimento, resolveu-se focar no sexo, usando-se a figura da maçã. Outra forma
disfarçada de manter os fiéis sob o “jugo espiritual”, pois todo aquele que errasse nesta questão,
mesmo que por pensamento, deveria submeter-se aos “ritos expurgatórios do pecado”. Desta
forma, a igreja manteria os adeptos inseridos nas respectivas práticas dogmáticas, sob o risco da
condenação ao juízo eterno, o “fogo que arde e não queima”.
Continuemos a análise dos “castigos de Deus”, naturalmente, tratava-se de um Deus
vingativo e rancoroso, bem à figura humana. Disse O Criador a Adão – Gênesis 3:19- “No suor
do teu rosto comerás o teu pão...”, basicamente, Deus “penalizou” Adão com o trabalho, onde
somente através deste, conseguiria sustentar-se. Bingo! Este é o assunto do nosso estudo do mês:
O trabalho.
Em João 5:17 o Cristo nos diz, “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”,
dando-nos a dimensão da importância do labor diário, pois se espíritos do calibre do Mestre
ocupam-se, é por que essa atividade nos acompanhará para sempre, em detrimento ao sonho
angelical de muitos, regado a nuvens, harpas, maçãs e ociosidade.
Analisemos a mais rica fonte de consulta espírita, o Livro dos Espíritos:

675. Por trabalho só se devem entender as ocupações materiais?
“Não; o Espírito trabalha, assim como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho.”

Sucinto e esclarecedor. Primeiramente, o espírito de verdade nos revela que a extensão do
trabalho é bem maior que o caráter profissional, garantindo a validade do labor em outras áreas,
como o trabalho materno. Boas mães sabem perfeitamente que a maternidade não traz apenas o
sublime amor, porém e igualmente, a intensa dedicação; o labor assistencial, sob os desígnios
da caridade; o trabalho moral, aquele o qual nos esforçamos com o intuito de renovação dos
sentimentos, muitas vezes domando, à base da oração, impulsos indesejáveis.
Por outro lado, a mesma pergunta nos diz que toda ocupação ÚTIL é considerada
trabalho. Portanto, a ação de produzir algo, mesmo que imaterial, só é considerada trabalho se
“entregar” algo útil, ou seja, se o produto for salutar, benéfico. Naturalmente, seguindo a lógica
contida na questão acima, aqueles que se ocupam em produzir dor e penúria através do fanatismo,
viciação ou corrupção, responderão duplamente por seus atos, pois além da ociosidade, existem
igualmente as consequências do prejuízo causado ao próximo ou coletividade.
Analisemos outra questão:

674. A necessidade do trabalho é lei da Natureza?
“O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a
civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos.”

É interessante como o LE, apesar dos 150 anos de idade, continua atual. O trabalho, nos
diz o espírito de verdade, é necessário para a civilização, por conta das necessidades e também
dos gozos, ou seja, a recompensa em si, o descanso, a distração etc. É neste ponto que reside
o desequilíbrio. Muitos entendem o trabalho apenas como necessidade, não compreendem a
recompensa do descanso, tão necessário quanto o próprio trabalho. Por não compreenderem,

enveredam no desequilíbrio de trabalhar mais e mais, exigindo da máquina mental e física a
produção além das próprias capacidades, sobrecarregando-a, abandonando relacionamentos,
família e amigos, renunciando à própria felicidade em nome da recompensa financeira ou
vaidosa, inspirada sob o alcance de cargos de maior projeção. Boa interpretação para o
ensinamento do Cristo contido em Mateus 6:21 “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará
também o vosso coração”. Trabalho e equilíbrio devem andar juntos sempre.

Trabalho inspira trabalho, um filho inspira-se nos pais corretos e justos, por mais simples
que lhes seja a profissão. Deus abençoa o trabalho em todas as dimensões, pois sabe que sob as
engrenagens do labor, o equilíbrio dos mundos, e portanto universal, é mantido. Definitivamente,
trabalhar não é um castigo e sim uma bênção, concedida por Deus a todos nós capazes de
produzir algo útil, por mais singelo que seja. Não desejemos o descanso indolente, antes,
busquemos o trabalho que liberta a consciência, desenvolve a inteligência, promove a autoestima,
abre novas perspectivas espirituais e impulsiona aos cimos da evolução. Se o Pai trabalha,
devemos nós, também.
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