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quo-vadis-2001-1De um colega do movimento espírita recebi de presente de aniversário certa feita
o DVD do Filme Quo Vadis?, de 1951, épico do diretor Mervin LeRoy, baseado em livro
de Henryk Sienkiewicz. O filme tem como personagem principal meu homônimo, Marcus
Vinicius, o que motivou o referido presente.
Trata-se de um filme épico de uma beleza ímpar e que traz em seu nome uma expressão
latina que vem do Novo Testamento (João, 16:5), na fala de Jesus: "E agora vou a aquele que
me enviou; e nenhum de vós outros me pergunta: Aonde vais?" “Quo Vadis?” é “Aonde vais?”
e o título do filme advém de uma cena onde o Tribuno Marcus Vinicius se encaminha para sair
de Roma e Pedro, o apóstolo, faz a pergunta título, relembrando seu compromisso com a causa
do cristianismo.
Inicio este artigo com a referência a esse brilhante filme para provocar a reflexão sobre
uma máxima espírita, que é o “Conhece-te a ti mesmo”, frase entalhada no templo de Delfos,
na Grécia antiga e citada na pergunta 919 de O livro dos Espíritos. A reflexão proposta é que o
“Conhece-te a ti mesmo” pode trazer em si uma dose de determinismo. Sou assim, nasci assim,
eu sou sempre assim... Na frase imortalizada da modinha para Gabriela, de Dorival Caymmi.
Penso que nas nossas reflexões diárias, olhando o teto antes de dormir, devemos
transcender o “Conhece-te a ti mesmo”, estático e introvertido, e adotar o “Quo Vadis”. Sim,
importa avaliarmos ao final de cada dia o que estamos nos tornando, que decisões temos
adotado que tem nos levado a determinadas atitudes.
As tendências não são coisas estáticas, deterministas. São forças pujantes e construídas
ao longo de nossas encarnações na interação com a vida encarnada e desencarnada. A
vontade nos diz para onde vamos a cada dia, frente aos desafios da vida, construindo a nossa
encarnação, lutando com as tendências herdadas e sonhando com a melhora futura, perguntados
cotidianamente pelo Cristo: “Quo vadis?”.
A cada decisão nos tornamos o homem novo que o Cristo espera de nós ou perpetuamos
o homem velho, empedernido nas estagnações. Conhecer a ti mesmo, mapear o que somos,
demanda algo mais no processo evolutivo, a força e a coragem para transformar nossas
tendências nas atitudes desejadas.
A evolução não se faz no mundo contemplativo e sim na luta diária com os nossos
irmãos encarnados, aprendendo a amar e demonstrando a lição aprendida. Assim, o criminoso
aprende a virtude e o vilão se converte em herói, nas pequeninas mudanças de atitude que nos
conduzem a momentos de inflexão, das transformações relevantes, onde somos chamados a
subir mais um degrau da evolução.
Nas orações noturnas, no momento em que sopesamos o dia, pensemos nos caminhos
adotados a até onde eles nos levarão, dado que se o que somos é o nosso passado, o que seremos
no futuro depende das decisões no nosso presente. Não nos iludamos! Cada reencarnação é uma
aposta de Deus em nós, na nossa capacidade de superar a nossa inferioridade e de avançar mais
rápido pelas decisões certas, ou mais lento pelas decisões erradas.
Importa-nos a coragem para encarar as nossas tendências e sobre ela trabalharmos.
Fugir disso pode ser se afogar no mar de nossas dificuldades. Muitos anseiam descobrir seu
passado reencarnatório para ficar ali, admirando suas faltas, esquecidos de que a vida nos
impele a avançar, a partir do ponto que nos encontramos.
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