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Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

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SimonDeweyFishersofMen            André e Tiago não se compreendiam, empreendendo em desavenças e perturbação. Pedro fora repreendido por Paulo enquanto tentara, em outra oportunidade, sob influência perniciosa, demover o Mestre dos acontecimentos da cruz. Judas, alheio ao grupo e mais voltado aos controles financeiros, função exercida, entregara o Cristo à liderança tradicionalista e hipócrita judaica, movido por conceitos imediatistas e revolucionários.

            Se até mesmo os apóstolos desentendiam-se, tendo o mesmo objetivo e sob a liderança de Jesus, um dos eleitos de Deus, imaginemos nós.

            As dificuldades do caminho são absolutamente naturais, fazem parte da empresa abraçada por todo postulante ao caminho do bem. É óbvio que, por vezes, os acontecimentos não sairão como imaginamos. Porém, analisemos:

- Teria o Cristo se perturbado diante da inicial negativa de Pedro em lançar as redes ao mar? Aborreceu-se o Mestre ao ver o pescador executá-lo diante do resmungo, má vontade e sob forte ressalva?

 

- Frustrou-se o Mestre, alimentando desânimo, ao receber a negativa do jovem rico? Mesmo diante de todo magnetismo e doçura do Cristo, o jovem recusou-lhe o chamado redentor. Teria Jesus se melindrado? Pelo contrário, conduziu-o ao atendimento dias depois.

            O mesmo é esperado de nós. Conflitos de ideias são absolutamente normais; desequilíbrios entre trabalhadores do bem, não. Diferentes entendimentos sobre a melhor execução de uma tarefa são esperados, somos heterogêneos em experiência e, portanto, na forma de pensar. Inaceitável é levar consigo a picuinha e a implicância. Crer que o irmão discordante o faz propositalmente, por problemas pessoais conosco.

            É de conhecimento de todos que somos duplamente atingidos quando nos fixamos em faixas inferiores, do melindre, do orgulho ferido, da discórdia indébita. Consideremos, além da ressonância da onda mental emitida pelo pensamento inferior, a entrada na faixa vibratória de espíritos os quais se aproveitam de tais situações para alimentar dissensões no grupo, gerando mais polêmicas, resultando nos “rachas” e “grupinhos”.  

Triste e infeliz realidade e sentimento existente em nós. Reflitamos sobre as bagagens de nossos corações, pois esta será a de nossas almas. Na ação do bem, sob as bases da responsabilidade, não pode haver separações. O amor é um movimento uníssolo, prioritário, absolutamente despido de personalismo.

            Existe mais um ponto, aproveitando a oportunidade. Creio que estejamos no momento certo de esclarecer sobre o que alguns chamam de trabalho voluntário.

            Se pudéssemos inquirir o passado entenderiamos a passagem pelas lides de trabalho na caridade como dever, pois não apenas jogamos luz nas trevas pregressas, mas igualmente, quando fincados no amor, gabaritamo-nos a novos desafios, a exigir-nos maiores competências morais e intelectuais.

            A disciplina nos estudos e a reforma íntima devem obedecer ao mais direto recado de Kardec a nós: Espíritas, amai-vos; espíritas, instruí-vos.

            Somos responsáveis pela forma à qual administramos as tarefas abraçadas, naturalmente, responderemos por tal. O trabalho no amor é parte importante na evolução moral, pois desafia-nos à conquista do caráter moral. Caminho reto à felicidade e objetivo mor da reencarnação.

            Desnecessário destacar a importância da oração do Pai-Nosso. É através deste cântico de amor que espíritos de alto valor moral buscam a inspiração para as respectivas missões a desenvolver. Contudo, atentemos às lições da oração do Santo de Assis. A título de recordação, convoco todos a refletir acerca de nossas posições e ações, fora e dentro da casa espírita, diante de nossos pares.

 

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.

 

Onde houver ódio, que eu leve o amor;

 

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;

 

Onde houver discórdia, que eu leve a união;

Onde houver dúvida, que eu leve a fé;

Onde houver erro, que eu leve a verdade;

Onde houver desespero, que eu leve a esperança;

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais

Consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois, é dando que se recebe,

é perdoando que se é perdoado,

e é morrendo que se vive para a vida eterna.

 

            No final da tarefa reencarnatória do Cristo, Pedro redimiu-se diante de todos os apóstolos ao defender Maria Madalena, antes alijada, do escárnio de Tomé. João tomou Maria como mãe, e todos os apóstolos, com exceção de Judas e João foram imolados em nome do Cristo. Sim, apesar das discussões e desentendimentos, havia amor.

            Sigamos-lhes os exemplos em nossas tarefas, sejamos apóstolos do amor. 
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