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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2018

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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       Quando o insigne Allan Kardec perguntou às entidades sublimadas, responsáveis por  nos outorgar a terceira revelação da Lei de Deus (“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”), recebeu a resposta incisiva, tornando-se  essa  a menor e a mais importante questão registrada em O Livro dos Espíritos: “Jesus”. (1)

       Kardec, em sua capacidade de espírito superior e com bastante simplicidade ao entronizar o lema principal do Espiritismo (“Fora da caridade não há salvação”), quis saber do divino modelo a definição de caridade, perguntando:

       “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?”

       Recebendo a resposta que define a caridade integral, em três regras de comportamento, formando a tríade da caridade:

       “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.” (2)

       A partir dessa resposta, o Codificador do Espiritismo tece comentários que não podem ser guardados, devido à grandeza e à verdade neles contidos:

       “O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido dessas palavras de Jesus: “amai-vos uns aos outros como irmãos”.

       “A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque da indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer.” (3)

       Na tríade da caridade que caracteriza o Espiritismo, temos o ideal de conduta para que todos, indistintamente, possamos cumprir a missão principal da vida na Terra: evoluir.

        Bondade para com todos, porque somos irmãos, criados por Deus. Ninguém é melhor ou pior do que o outro. As diferenças existentes correspondem ao grau evolutivo dado pela escolha, ao fazer o que fazemos, de posse do livre-arbítrio concedido à criatura, pois “Deus tem suas leis a regerem todas as nossas ações”.

A tolerância para as imperfeições dos outros é uma prática que deve viger em nossos pensamentos, palavras e atos, pois valorizamos muito a nós mesmos, julgando-nos sempre certos em nossas decisões. Quem não participa do nosso modo de ser está errado. É o egoísmo que precisa ser domado, diminuído e eliminado.

O perdão das ofensas é de extrema importância em nossa vida de relação. Até inconscientemente ou por distração, muitas vezes ferimos e ofendemos. Por que não perdoarmos, se o perdão é o fator de libertação das nossas almas?

       “Todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofremos as consequências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos, que desse modo nos fazemos os causadores da nossa felicidade, ou da nossa infelicidade futuras.” (4)

       Cada vez mais sentimos a necessidade urgente de “domar as nossas más inclinações”, de educar os nossos sentimentos, de viver sem violência em todas as participações, na família, na religião, na política e na sociedade de modo geral. O Brasil e o mundo serão o que fizermos deles. Vamos dar a nossa contribuição! Este é o melhor caminho para que a caridade seja implantada definitivamente entre as pessoas e entre as nações.

       Como enfatizou Kardec, em seu discurso em Lyon e Bordeaux, em 1862:

       “Substitua-se o egoísmo pela caridade e tudo será diferente. Ninguém procurará fazer mal ao seu vizinho, as iras e os ciúmes se extinguirão à falta do que os alimente, e os homens viverão em paz entreajudando-se ao invés de mutuamente se despedaçando. Se a caridade substituir o egoísmo, todas as instituições sociais passarão a ter por alicerce o princípio da solidariedade e da reciprocidade. O forte protegerá o fraco ao invés de explorá-lo.” (5)

       No excelente livro Boa Nova, do Espírito Humberto de Campos e da lavra mediúnica do inesquecível Chico Xavier, há uma passagem na qual Simão Pedro encontrava-se em infinita angústia, após a crucificação de Jesus, por tê-lo negado. Por meio do véu de lágrimas, teve a visão do Mestre, trazendo nos lábios o mesmo sorriso sereno de todos os dias. Foi nesse instante que ele se lembrou do que Jesus lhe disse:

— “Pedro, o homem do mundo é mais frágil do que perverso!” (6)

       Muita paz!

 

Notas bibliográficas:

1 – O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 625, FEB.

2 – Idem, questão 886.

3 – Idem, questão 886.

4 – Idem, questão 964.

5 – Viagem Espírita em 1862, Allan Kardec, pág. 78, O Clarim.

6 – Boa Nova, Humberto de Campos, Francisco Cândido Xavier, pág.177, FEB.

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