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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2019
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A codificação de Allan Kardec sempre deixou bastante claro que o Espiritismo, em essência, é uma filosofia e, de forma complementar, é a ciência da paranormalidade e a religião da fé racionada, sem igrejas, cerimônias, rituais, sacramentos, rezas decoradas, sacerdócio profissional e quaisquer simbolismos.

O mestre de Lyon jamais declarou que o Espiritismo é uma arte e, portanto, não temos o direito de comprometê-lo com a beleza em detrimento da verdade, pois, neste mundo, a ética é mais importante do que a estética.

Dizer para tudo “que beleza!” é fácil, o difícil, e necessário, é promover a educação moral para quem se encontra em erro, e com isso sofre fazendo os outros sofrerem.

Kardec, social e doutrinariamente, nunca usou na cabeça adornos para esconder a calvície, nem na boca artifícios verbais para ser simpático; nunca disfarçou a realidade para agradar, ao invés de cumprir o dever de ensinar. Ele sabia perceber a diferença entre a evangelização útil, educativa, e o evangelismo piegas, alienante. E tinha razão quando se orientava ideologicamente, partindo do princípio de que os poetas, artistas da palavra, são admiráveis em seu lirismo sonhador, mas se enganam quando pensam que nesta vida o fundamental é a beleza e não a verdade conducente ao amor.

O pavão, com suas penas coloridas, é talvez o animal mais belo da natureza, mas quem vive duzentos anos é a tartaruga...

Não há erro em nos afeiçoarmos à beleza, procurando vê-la onde ela existe e nos embevecendo na sua contemplação; o erro consiste em vermos somente o lado bom das coisas, como aconselhou o famoso médium brasileiro adepto do roustanguismo, pois necessitamos ver igualmente o lado mau, porque, se não compararmos o belo com o feio, o certo com o errado, como poderemos elaborar juízos de valor, a fim de transformar o mundo para melhor, eliminando dele as mentiras geradoras de imoralidades e crueldades?

Se fecharmos os olhos para as injustiças sociais, para a criminalidade, para o despotismo de uns, para a covardia de outros, para a hipocrisia de alguns, para a desonestidade de muitos, enfim, para toda espécie de viciações degradantes e condutas cínicas, como poderemos ajudar o progresso da Humanidade? Não é este o nosso destino evolutivo ou estamos encarnados no planeta só para nos divertir na contemplação do belo?

Uma frase ou promessa de Jesus merece não ser por nós esquecida, porque se reveste de especial beleza ética:

- “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!” 

 

(*) Nazareno Tourinho, parceiro do Dr. Carlos Imbassahy na obra O PODER FANTÁSTICO DA MENTE, editada há cinquenta anos, em 1967, é um velho autor espírita cujos últimos livros foram publicados e estão sendo distribuídos pela Editora LACHÂTRE (Instituto Lachâtre – Caixa Postal 164 – CEP 12914-970 – Bragança Paulista – SP – Telefone (11) 4063-5354 – Site: www.lachatre.org.br – E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.).

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