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Artigo do Jornal: Jornal Marco 2019

Sobre o autor

Cláudio Sinoti

Cláudio Sinoti

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Você tem conflitos?

A princípio, pode parecer uma questão estranha ou incômoda, tendo em vista que não é agradável reconhecer ou falar dos próprios conflitos. Nada obstante, os conflitos são parte importante do desenvolvimento humano, pois quando vividos com consciência permitem impulsionar descobertas e transformações que não ocorreriam se não houvesse algum desconforto. Por isso mesmo, o problema não é ter conflitos, mas desconhecê-los, negá-los ou deixar que eles conduzam nossas vidas.

Em um livro destinado a aprofundar o olhar sobre os Conflitos Existenciais1, o Espírito Joanna de Ângelis recorda que “a criatura humana está destinada à plenitude, avançando, não poucas vezes, sob injunções dolorosas...” Ter em conta essa finalidade grandiosa de se tornar pleno, inteiro, faz com que o enfrentamento dos conflitos seja movido pela força de um propósito superior, mobilizando o indivíduo a ir até a raiz, para encontrar suas causas.

Quando Freud começou a aprofundar o estudo das angústias humanas, percebeu que os sintomas, quando manifestos no corpo ou no comportamento, estavam vinculados a processos psíquicos desconhecidos e negados. Estimulava a catarse, para que através da fala livre, o paciente pudesse dar vazão àquilo que se encontrava reprimido nos arquivos do inconsciente.

Aprofundando os estudos psicanalíticos para além da sexualidade, Carl Gustav Jung concebeu que a vida impulsionava o indivíduo à plena realização de suas potencialidades, através do processo de individuação¸ e que os conflitos resultavam de tudo o quanto se opunha a essa jornada inevitável do ser. Descreveu a Sombra como a parte desconhecida, desprovida de luz, que muitas vezes conduz o ser a escolhas e comportamentos equivocados, resultando em conflitos que podem chegar a graus extremos de cisão da psique. O caminho para superação dos conflitos, em sua concepção, seria tornar a sombra conhecida, o que exige um grande esforço moral por parte do indivíduo.

Unindo os esforços acadêmicos com o olhar espiritual da vida, entendemos que além de todos os conflitos gerados no processo educacional e convivência familiar, trazemos uma bagagem ancestral, fruto das nossas vivências anteriores. Por isso mesmo o Inconsciente é de uma grandiosidade que o ego não consegue dimensionar, afetando o comportamento à sua revelia, por ser portador de uma profunda carga energética, frutos de suas inúmeras experiências e finalidade superior.

Mas, então, como enfrentar os nossos conflitos?

Não existe receita pronta para vencer os conflitos, mas princípios e valores que nos auxiliam a combatê-los. Passo importante é aceitá-los como parte da própria essência humana. Essa aceitação, no entanto, não é passiva, mas uma resignação dinâmica, através da qual mobilizamos forças para vencê-los. Aceitar a sombra requer humildade, que nos possibilita rever a própria postura perante a vida, responsabilizando-nos por nossos atos e pela conduta existencial. Quando aceitamos os conflitos, e nos resolvemos por enfrentá-los, damos passo importante rumo à maturidade, que requer que o ser se torne protagonista da sua própria existência.

Todo esse processo pode ser visto como um parto, que embora doloroso, traz como resultado um novo fruto. Quando permanecemos identificados somente com a dor, não permitimos que esse novo surja, pois ele nos amedronta. Quando temos em vista a finalidade, que é a descoberta e realização do ser verdadeiro que somos, os empecilhos são vistos como obstáculos que devemos transpor, como parte do processo de encontrar o nosso tesouro.

Por isso mesmo, a mulher e o homem contemporâneos, por mais que tenham evoluído em muitos campos do conhecimento, prosseguem vivenciando inúmeros conflitos existenciais, que permanecerão conosco até que possamos encontrar a verdadeira finalidade da vida. Vós sois a luz do mundo, nos recordou com propriedade o Mestre. E até que essa luz possa ser retirada do inconsciente, os processos psíquicos continuarão a nos mobilizar para a necessária transformação. 

 


11 Conflitos Existenciais - Joanna de Ângelis (Divaldo Franco) – Leal Editora

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