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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2019
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Nas efervescências da atualidade, tem-se discutido muito sobre liberdade e direitos de escolhas. Escolhas resultam de nossos pensamentos. Os neurocientistas estimam que uma pessoa possa ter, em média, 70 mil pensamentos por dia. Do momento em que despertamos até voltarmos ao sono, desfilam em nós milhares de pensamentos nos levandolevando-nos a tomadas de decisão das mais simples às mais profundas. À A cada decisão, entra em cena nossa liberdade de escolher.

Apesar da sociedade atual dar pouca atenção à responsabilidade de nossas deliberações, já no ano 395 d.C., Santo Agostinho de Hipona desenvolvia um estudo sobre o Livre Arbítrio, em obra intitulada “De Libero Arbítrio”. Nesta, desenvolveu algumas teses a respeito da liberdade humana e o livre arbítrio, sendo esste a possibilidade de escolher entre o bem e o mal; enquanto a liberdade seria o bom uso do livre arbítrio.

Em “O Livro dos Espíritos” (OLE), no item sobre a “Lei da Liberdade”, verifica-se que existem três tipos de liberdade: a Natural, a de Pensar e a da Consciência. Kardec indaga se ” há posições no mundo em que o homem pode se vangloriar de desfrutar de liberdade absoluta?”. Obtém como resposta que “não, porque todos necessitam uns dos outros, tanto os pequenos quanto os grandes” e “(...) desde que haja dois homens juntos, há direitos a respeitar e nenhum deles tem mais liberdade absoluta” (1). Questionando se “a obrigação de respeitar os direitos dos outros tira do homem o direito de ser senhor de si?”, recebe a seguinte resposta: “de jeito nenhum, porque esse é um direito que a natureza lhe concede” (2).

Quanto à ‘lLiberdade de Pensar”, o Codificador pergunta se “há no homem alguma coisa livre de qualquer constrangimento e da qual desfruta de uma liberdade absoluta?”, obtendo como resposta que “é pelo pensamento que o homem desfruta de uma liberdade sem limites, porque o pensamento desconhece obstáculos. Pode-se deter seu voo, mas não o aniquilar” (3). Enfim, quanto à “jLiberdade de Consciência”, Kardec pergunta se esta “(...) é “uma consequência da liberdade de pensar?”, explicando os Espíritos que “a consciência é um pensamento íntimo que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos” (4).

Sendo assim, “pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina” (5). Contudo, mesmo que seja “inegável que sobre o Espírito exerce influência a matéria, que pode embaraçar-lhe as manifestações (...)” (6), não servirá de desculpa quando estados orgânicos alterados, resultam da privação da razão para satisfazer vontades e, em vez de uma falta, comete duas (7).

Fica evidente que temos o livre arbítrio para selecionar o que queremos, mas as escolhas geram consequências em nossas vidas, às quais podem ser boas ou ruins, saudáveis ou não. Por exemplo, sabe-se que a prevenção de derrames cerebrais está baseada em atitudes, tais como evitar cigarro, álcool e estresse, praticar atividades físicas e evitar consumo de sódio e produtos industrializados (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Campanha Nacional de Conscientização para Combate ao AVC, 2016).

Nas três primeiras recomendações, percebe-se o potencial de outros tipos de sequelas, como doenças pulmonares devido ao tabagismo, doenças hepáticas relacionadas ao álcool e depressão decorrente de estresse e muitos estados emocionais presentes em nossos cotidianos mentais, mimetizados nos milhares de pensamentos diários e todas diretamente relacionadas às escolhas do dia a dia.

Ainda há uma gama de doenças de fundo genético geral, já instaladas ao nascimento, ou a se evidenciarem aos poucos, resultantes de pensamentos e escolhas pretéritas, cujas “vibrações, atraindo elementos similares, influenciam o envoltório sutil” e, em função de sua qualidade, maculam mais ou menos o períspirito, estendendo tais registros à encarnação vindoura. Ainda Léon Denis, assinala que “a vontade é o maior de todos os poderes, sendo comparável a um imã” (8).

Eis aí a imensa responsabilidade que temos sobre nossos próprios pensamentos, geradores de vontades. Concentrações perdidas no modismo do hedonismo, gerando escolhas superficiais, nos levam ao vazio existencial e a à depressão (9). Se não issto, ou além dissto, seguimos como manadas, repetindo atos ou ideais alheios, nos perdendo em um efeito de grupo (conceito da ciência da ecologia de populações, ver Eugene P. Odum entre outros autores clássicos), entre a ilusão da “segurança dos iguais” e a real necessidade da individuação, único caminho saudável, a “vontade de viver em si a vida”, que “atrai para nós novos recursos vitais”, os quais favorecem a saúde orgânica e psíquica.

Ao final, nossa saúde resulta da liberdade de gerência praticada sobre os pensamentos, direcionando-os ao usarmos bem nosso livre arbítrio.

 

Bibliografia

  1. “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec, questão 825;
  2. idem, questão 827;
  3. idem, questão 833;
  4. idem, questão 835;
  5. idem, questão 843;
  6. idem, questão 846;
  7. idem, questão 848;
  8. “As Potencialidades da Alma”, Leon Dennis;
  9. “Atitudes renovadas”, Joanna de Ângelis, Cap. 9: O Vazio Existencial;
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