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Todos os seres viventes são filhos da Divindade e passam por intenso e elaborado processo de evolução físico-espiritual.

Todos os seres viventes são filhos da Divindade e passam por intenso e elaborado processo de evolução físico-espiritual. O Mestre Jesus, referindo-se à humanidade, disse que "o reino de Deus está dentro de nós" e corroborou o ensino do Antigo Testamento de que "somos deuses". Portanto, toda a capacidade criadora do Artífice Maior do Universo, foi-nos concedida, no momento de nossa formação cósmica, e está armazenada em nós, consistindo em imanentes potencialidades, lentamente exteriorizadas e vivenciadas no decurso dos milênios, através do processo reencarnatório.

Somos criaturas imortais, resultantes de uma longa caminhada evolutiva, dando vida, inicialmente, aos seres vegetais e animais, desenvolvendo experiências no campo da sensibilidade e do instinto. Podemos dizer que a flor, desabrochando suas pétalas, borrifadas pelo orvalho, em pleno alvorecer, e a manifestação amorosa de uma fêmea, acariciando seus filhotes e dando-lhes alimentação e proteção, são provas evidentes de que o belo já está presente, emergindo nas primeiras experimentações do "princípio inteligente".

Na fase hominal, eclode o intelecto. Os seres têm consciência de si mesmos e da instigante certeza da sua própria morte, todos animados pelo "princípio inteligente individualizado" ou espírito. Começam, então, a exercitar melhor sua capacidade criadora, a partir do domínio completo dos músculos das mãos, decorrente do acentuado desenvolvimento da área do córtex cerebral que os comanda. De imediato, desponta nova alvorada, possibilitando expressarem e transmitirem sensações ou sentimentos, através da habilidade manual.

Os homens primitivos, vivendo dentro de cavernas, davam vazão a estados de espíritos de caráter estético, realizando pinturas na rocha, como posteriormente, construindo estelas, monumentos edificados em pedras, destinados à ritualização, inclinados na conclamação do divino, do imaginário e do desconhecido.

A Doutrina Espírita, caminhando a par com o progresso científico, aceita a evolução das espécies e o surgimento gradual e paulatino da arte como manifestação carregada de vivência pessoal e profunda do espírito imortal. Ensina, também, que fatores casuais não existem e que a vida ocorre nos domínios físicos e espirituais interligados. No além, os seres atuam sobre a atmosfera energética sutil do orbe, empregando o pensamento e a vontade, ensejando a criação de expressões artísticas, as quais, segundo Leon Denis, são "obras que desafiam toda comparação e toda análise" ("Depois da Morte", pág. 223).

A arte pulula nas dimensões do extrafísico. Os espíritos utilizam a energia cósmica universal, como elemento donde tiram os materiais sobre que operam o pensamento, imprimindo formas de ilimitadas colorações. Assim como ocorre no meio físico, onde os que trabalham com a arte são diferentes, obrando com maior ou menor criatividade e qualidade, no além acontece a mesma coisa, dizendo o sábio psiquiatra Ernesto Bozzano, na obra "A Crise da Morte", que "obras complexas e importantes são destinadas a grupos de espíritos especializados".

A expressão artística espiritual pode ser bela ou feia, dependendo da faixa evolutiva do autor e de sua experiência nesse campo de atividade.
O pastor protestante G. Vale Owen, no livro "A Vida Além do Véu", relata que sua mãe desencarnada, assim narrou-lhe, através de comunicação mediúnica: "Nós temos montes, rios, belas florestas, e muitas casas; tudo foi preparado pelos que nos precederam (...) O tecido e a cor do nosso vestuário tomam a sua qualidade do estado espiritual e do caráter de quem o usa".

Na obra: "No Limiar do Etéreo", o ilustre Dr. Findlay, eminente escritor e cientista, trabalhando com o médium Sloank, recebeu a seguinte informação espiritual: "Aqui temos o poder de moldar a substância etérea, conforme pensamos. Assim, também as nossas casas são produtos das nossas mentes. Pensamos e construímos. É uma questão de vibração do pensamento e, enquanto mantivermos essas vibrações, conservaremos o objeto que, durante todo esse tempo, é objetivo para os nossos sentidos."

É maravilhoso termos a certeza de que somos filhos do grande Artesão do Cosmos e, possuindo o gérmen do Seu poder mental criador, passível de desenvolvimento diante da eternidade, teremos até mesmo a oportunidade sublime de criar mundos no Universo, como espíritos puros, exercitando a arte divina, impregnada em nós, desde o momento de nossa sublime concepção cósmica.

Verdadeiramente somos deuses!

O artista, no seu processo de criação, nem sempre é um médium, já que muitas idéias são devidas à própria celebração humana porquanto o espírito alberga consigo a força criadora do Pai em potencial, necessitando exercitação diante do Infinito. Nesses casos, as composições artísticas resultam do próprio ser encarnado, sem a interferência de uma fonte geradora. Contudo, sabemos que o artesão, no seu processo criativo, pode também obrar através de suas próprias faculdades mediúnicas e muitas peças de arte na Terra são cópias das originais concebidas na dimensão espiritual.

O artista durante o sono, em desdobramento ou projeção da consciência, visita locais extrafísicos e têm a oportunidade de ver belas obras. Voltando ao corpo físico, sente-se impelido a reproduzi-las, conforme relata o espírito André Luiz, no livro "Os Mensageiros", pág. 90, descrevendo a experiência do pintor francês Florentino Bonnat, o qual, fora do corpo, visitou uma colônia espiritual, onde ficou deslumbrado diante de uma tela magnífica, representando o sofrimento de São Dinis, supliciado nos primeiros tempos do cristianismo. Retornando à atmosfera física, não descansou enquanto não retratou o quadro.

A famosa obra literária "A Divina Comédia", igualmente foi absorvida nos domínios da imortalidade, porquanto se trata do relato da peregrinação do escritor Dante Alighieri, desdobrado, pelas dimensões espirituais.

Leon Denis, no livro "No Invisível", pág. 135, diz que Voltaire declarou ter conhecido, em uma noite, em sonho, um canto completo da "Henriade". Denis descreve igualmente que "Coleridge adormeceu lendo e, ao despertar, lembrou-se de haver composto, enquanto dormia duzentos versos que apenas teve o trabalho de escrever". Relaciona também os compositores Bach e Tartini, os quais ouviam, durante o sonho, a execução de sonatas que não haviam conseguido terminar de modo que lhes satisfizesse. Apenas despertos, as escrevem de memória.

O orientador espiritual Lísias, na excelente obra "Nosso Lar", à pág. 252, complementa o diálogo, travado com André Luiz, dizendo que "O Universo está cheio de beleza e sublimidade, o facho resplendente e eterno da vida procede originariamente de Deus".

Que o Mestre Jesus abençoe a todos aqueles que sozinhos ou "inspirados" têm a chance de pintar, compor, executar, representar, escrever, etc. Enfim, que os que se constituem artesãos da beleza sejam iluminados cada vez mais e saibam que toda a grandiosidade do Universo está à disposição de todos, como criaturas divinas que realmente são, filhas e herdeiras do Infinito.

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