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A Preparação da Abolição da Escravatura no Plano Espiritual


Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon veio ao mundo com a sua tarefa no trabalho abençoado da Abolição da Escravatura. Mas todo o andamento do processo já vinha sido delineado pelas falanges de Ismael, que procuravam dirigir os movimentos republicanos e abolicionistas com alta serenidade e muita prudência, com o propósito de evitar conflitos.

O momento de iniciar o cumprimento do que estava estabelecido no plano espiritual, partiu do próprio Mestre Jesus, segundo Humberto de Campos, no livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", psicografado por Francisco Cândido Xavier:

- Ismael, o sonho da liberdade de todos os cativos deverá concretizar-se agora, sem perda de tempo. Prepararás todos os corações, a fim de que as nuvens sanguinolentas não marchem o solo abençoado da região do Cruzeiro. Todos os emissários celestes deverão conjugar esforços nesse propósito e, em breve, teremos a emancipação de todos os que sofrem os duros trabalhos do cativeiro na terra bendita do Brasil. Disse o Mestre Jesus.

 

A articulação de Ismael

Com a concordância de Jesus, Ismael começou a articular o que viria ser o fim da escravidão no Brasil. Sob a influência dos mentores invisíveis da pátria, D. Pedro II foi afastado do trono nos primeiros anos de 1888. Com isso a Princesa Isabel, que já havia sancionado a Lei do Ventre Livre em 1871 - lei que garantia a liberdade aos filhos dos escravos - assumia a Regência. Sob a inspiração de Jesus, Isabel escolhe o Senador João Alfredo para organizar o novo ministério, que seria formado por notáveis espíritos ali encarnados. Em 13 de maio de 1888, os abolicionistas apresentam à regente a proposta de lei que Isabel, cercada de entidades angelicais e misericordiosas, sancionou sem hesitar.

 

Espíritos festejam a Redenção

O Livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", Humberto de Campos, através das mãos límpidas de Chico Xavier, relata a comemoração do Plano Espiritual naquela noite de domingo.

- Nesse dia inesquecível, toda uma onda de claridades compassivas descia dos céus sobre as vastidões do norte e sul da Pátria do Evangelho. Ao Rio de Janeiro afluem multidões de seres invisíveis, que se associam às grandiosas solenidades da abolição. Junto ao espírito magnânimo da princesa, permanecia Ismael com a bênção da sua generosa e tocante alegria. Enquanto se entoavam hosanas de amor no Grupo Ismael e a Princesa Imperial sentia, na sua grande alma, as comoções mais ternas e mais doces, os pobres e os sofredores, recebendo a generosa dádiva do céu, iam reunir-se, nas asas cariciosas do sono, aos seus companheiros da imensidade, levando às alturas o preito do seu reconhecimento a Jesus que, com a sua misericórdia infinita, lhes outorgara a carta de alforria, incorporando-se, para sempre, ao organismo social da pátria generosa dos seus sublimes ensinamentos.

 

Mil Tronos daria pela Liberdade dos Escravos do Brasil

XXA Abolição da Escravatura ocorreu através da Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888. A Princesa Isabel usou uma pena de ouro especialmente confeccionada para a ocasião e recebeu a aclamação do povo do Rio de Janeiro. Mas a elite cafeeira não aceitava a abolição. Em 28 de setembro de 1888, a Redentora foi congratulada com a comenda "Rosa de Ouro", oferecida pelo Papa Leão XIII. João Maurício Vanderley (1815-1889), o Barão de Cotegipe, ao cumprimentar a princesa alfinetou: "Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono". Pouco mais de um ano depois, Isabel veria a monarquia no Brasil ser extinta. Lembrando-se da profecia de Cotegipe, declarou: "Mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para libertar os escravos do Brasil". A complacência da Princesa era tão grande que documentos recentemente descobertos revelam que a princesa estudou indenizar os ex-escravos com recursos do Banco Mauá.

Constituição do Império do Brasil de 1824

Os primeiros fenômenos de Hydesville, nos Estados Unidos, só ocorreram em 1848. Mas a aceitação pela Doutrina Espírita no Brasil viria a ser dificultada através da 1ª Constituição Brasileira em 1824, que ficaria em vigor até 1891. O estado adotava o catolicismo como religião oficial, segundo o Artigo 5°: A Religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com o seu culto doméstico, ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo.

 

Autobiografia mostra a procura por algo mais

Na carta manuscrita em francês intitulada "Alegrias e Tristezas" - em poder do Museu Imperial (Petrópolis-RJ) - a Princesa Isabel retrata, singelamente, os episódios de sua vida. Neste documento autobiográfico, com a estimativa de ter sido escrito em 1905 e que foi conservado até pouco tempo no Castelo D'Eu na França, Isabel demonstra o seu alto grau de espiritualidade, principalmente no trecho em que diz: "A morte de minha irmã e a perda de minha primeira filha, morta ao nascer, a 28 de julho de 1874, foram meus únicos desgostos durante 44 anos! Na tendência que Deus me deu de procurá-lo em tudo, eu indagava por vezes (apesar dessas duas grandes infelicidades) se era bastante digna de seu amor, para que não me experimentasse com mais freqüência. Aparentemente não era obstante forte para suportar ainda mais. Queria ele levar-me pelo caminho da consolação e da graça que muito influiu sobre meu caráter?! Nada posso dizer. As provações vieram mais tarde, mas minha alma se volta para o criador para agradecer-lhe toda a felicidade que ainda me deixa neste mundo, na expectativa de que, segundo espero, me dará no outro".

 

Quem é o meu Espírito Protetor?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O arquiteto, professor de desenho, poeta, crítico e historiador de arte, Manuel de Araújo Porto-Alegre (Barão de Santo Ângelo), era muito ligado à Família Imperial, chegando a ser diplomata em vários países. Possuía também um alto grau de espiritualidade. Em 25 de dezembro 1865, estava em Dresda na Alemanha, onde escreveu uma carta para o escritor Joaquim Manuel de Macedo (Autor de "A Moreninha"), que mais tarde viria a ser o professor dos filhos da Princesa Isabel. Dentre vários assuntos, o Barão de Santo Ângelo comunicou a Joaquim que a Princesa havia lhe perguntado "Quem seria o Espírito Protetor dela".

 

 

 

 

 

 

Foto do Dr. Bezerra de Menezes é encontrada nos pertences da Princesa

Dentre as centenas de fotos protocoladas no Arquivo Histórico do Museu Imperial de Petrópolis (RJ), uma chamou a atenção da reportagem do Correio Espírita. Feita por Alberto Henschel, que era fotógrafo oficial da Família Imperial, a imagem está catalogada no "Livro dos Titulares", que corresponde aos Deputados Provinciais da época.

 

Grupo Espírita Izabel a Redentora

O GEIR, Grupo Espírita Izabel a Redentora - Rua Dr. Oliveira, 321, Pimenteiras, Teresópolis, RJ - realiza um grande trabalho de assistência espiritual, educacional e social nesta região serrana do Rio de Janeiro. Junto com a Instituição Maria de Nazaré, o GEIR auxilia a Mansão dos Velhinhos, a Creche Isabel e a Escola Municipal Lar de Isabel. Sob os auspícios de Isabel, mentora do Grupo, os trabalhadores encarnados e desencarnados desempenham este papel há mais de 35 anos. Em entrevista exclusiva para o Correio Espírita, o Presidente do GEIR, Ricardo Carneiro Santos, dá detalhes sobre o atual trabalho de Isabel no Plano Espiritual.

Correio Espírita: O que representa a Princesa Isabel para o Grupo Espírita Izabel a Redentora?

Ricardo Carneiro Santos: Por livre decisão dos fundadores é nossa Patrona. Para os tarefeiros da Casa e, em particular, para os trabalhadores nas Reuniões Mediúnicas (dirigentes, médiuns, esclarecedores, etc.) é nossa Mentora Maior e Protetora da Casa, para todos (fundadores, tarefeiros, trabalhadores, associados, freqüentadores e assistidos) é um símbolo de fé, de determinação e coragem, de esperança, de caridade, compaixão, piedade e misericórdia divinas e do verdadeiro amor ao próximo, em particular, os desprotegidos da ‘sorte'.

Correio Espírita: O Correio Espírita publicou a carta do Barão de Santo Ângelo para o escritor Joaquim Macedo que dizia que a Princesa havia lhe perguntado quem seria o "Espírito Protetor" dela. Quem foi o Guia Espiritual da Princesa Isabel?

Ricardo Carneiro Santos: Não sabemos, embora tenhamos a certeza de que seja um Espírito dos mais elevados dentre os que ‘jornadeiam' neste Orbe, tendo em vista sua Missão de proteger um Espírito, também de grande elevação que, por sua vez, carregava o ‘fardo' de uma gigantesca e difícil Missão, em sua última encarnação: a de enfrentar corajosamente a sociedade constituída tornando libertos milhões de irmãos escravizados, ‘propriedades' insanas de tantos ricos, poderosos e influentes senhores.

Correio Espírita: O espírito da Princesa Isabel frequentemente se manifesta, em forma de psicografia e psicofonia, no Grupo Espírita Izabel a Redentora?

Ricardo Carneiro Santos: Isabel tem se manifestado, em geral, em rápidas mensagens psicofônicas e sempre em presença de pequenos grupos de trabalhadores (tarefeiros) da Casa - tais manifestações ocorrem com mais freqüência durante reuniões privativas que coincidem com eventos especiais, tais como o aniversário da Casa, a Festa da Família da Evangelização (que celebramos todos os anos), e o Encerramento das Atividades da Evangelização (sempre perto do Natal), a que chamamos de ‘Natal da Evangelização', uma Festa já de grande tradição. Em outras raras ocasiões, em Reuniões Mediúnicas (são quatro semanais - cerca de 200 por ano), cujas mensagens passam sempre pela análise da Assessoria Doutrinária da Casa, para validação. Em uma única ocasião pública, nos últimos anos, numa reunião aberta ao público, em um sábado (creio que em 2002 ou 2003), quando a palestrante convidada era a Carmem Silveira (de Niterói), Isabel nos transmitiu, ao final da palestra, através de psicografia por Carmem Silveira, uma bela mensagem priorizando, exaltando e estimulando o trabalho que a Casa faz na Evangelização da comunidade pobre da região onde atuamos. Geralmente, nas raras ocasiões especiais em que se manifesta é, quase sempre, para um público pequeno de tarefeiros da Casa, que se emocionam antes mesmo de seu pronunciamento (quando o faz, é sempre para consolar os aflitos e para orientar e estimular os trabalhos que se realizam na Casa). Situação mais comum é quando apenas se faz presente em grandes celebrações públicas, assinalando sua presença pela forte emoção que transmite a alguns médiuns que, nestas ocasiões chegam às lágrimas.

Correio Espírita: Qual é a atual missão espiritual da Princesa Isabel?

Ricardo Carneiro Santos: Por sua real dedicação às causas Cristãs em sua última encarnação, e o teor das mensagens de estímulo que ocasionalmente nos dirige, sempre exaltando os Evangelhos e nosso amado Mestre Jesus, deva ter recebido a Missão de trabalhar pelo Cristianismo Redivivo. Da mesma forma que Kardec, orientado pelo Espírito Verdade, pelo Espírito ‘Z' e pelo Espírito do Dr. Demeure (Obras Póstumas) de que reencarnaria em breve para dar continuidade à Obra da Codificação, Isabel deve também ter sido orientada para dar continuidade a sua Obra, iniciada em sua juventude e coroada com a Lei Áurea, ou seja, a de libertar da escravidão espíritos ainda subjugados a esta infame forma de relacionamento humano, tanto no plano dos encarnados, como no dos desencarnados, situações que constatamos freqüentemente em nossas Reuniões Mediúnicas.

Correio Espírita: Depois de 120 anos da promulgação da Lei Áurea, a Princesa ainda resgata escravos no Plano Espiritual?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ricardo Carneiro Santos: Há algumas Casas Espíritas, além da nossa, que portam o nome de Isabel; acreditamos que o Espírito Isabel acompanha, orienta, dirige, auxilia e protege todas estas Casas para que exerçam corretamente suas missões, no campo material (educando, evangelizando e auxiliando materialmente nossos irmãos mais carentes) e ajudando no Plano Espiritual, através das Reuniões Mediúnicas de esclarecimento e desobsessão. No campo espiritual, não temos dúvidas de que se associa com os espíritos dos abolicionistas, entre os quais nosso querido Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, formando uma qualificada e numerosa Falange de Trabalhadores de escol, sempre com o objetivo de dar continuidade ao Processo Cristão de Libertação de todo e qualquer tipo de subjugação do homem pelo homem, do espírito pelo espírito.

 

 

Correio Espírita: Qual a mensagem que você daria aos leitores do Correio Espírita?

Ricardo Carneiro Santos: Aprendemos que todos nós fomos criados simples e ignorantes, mas dotados de livre-arbítrio, com o objetivo de evoluirmos lentamente, através de inúmeras encarnações, por nosso próprio esforço, para tornarmo-nos Seres Celestiais, auxiliares diretos de Deus-Pai, como co-criadores. A subjugação de um Ser por outro, ambos criados por Deus, fere frontalmente as Leis Divinas, devendo ser combatida pelo esclarecimento e pelas ‘armas' do Amor Fraterno. Este "Bom Combate", a que a Grandeza de Espírito da Princesa Isabel nos conduz a travar, é também uma forma de trabalharmos nossa Reforma Íntima, estimulando o aprendizado do verdadeiro Amor que o Cristo de Deus nos ensinou, e que já aprendemos em pequenina parte, mas longe ainda estamos de irradiá-lo em toda a sua amplitude.

 

Isabel se manifesta na comemoração dos 30 anos do Grupo

Em 1° de junho de 2002, quando o Grupo Espírita Izabel a Redentora completou 30 anos de fundação, a mentora Izabel se comunicou através de psicografia, recebida pela médium Carmem Silveira, trabalhadora da UMEN (União da Mocidade Espírita de Niterói) - Rua Princesa Isabel, 45, Bairro de Fátima, Niterói, RJ.

 

Momento de Crescimento

A evangelização é a tarefa maior para estes corações sofridos da escravidão de outrora, que agora renascem como anjos refeitos nos lares, para alegrar as almas dos antigos feitores que pediram a maternidade-paternidade. A luz terá que estar no candeeiro para chegar pequeninos, que devido a pouca estatura espiritual, necessitam de algumas mãos para lhes permitirem alcançar o véu da paz e misericórdia. Esta casa tem como missão, como as outras, a paz renovadora dos corações sofridos de outrora, quando ainda sob o frijo dos empreendimentos dos reinados trouxeram dor, angústia e sofrimento. Amigos, companheiros, meus filhos, abre-se uma nova era, a era do amor, da fraternidade. Assim, não se discuidem da higiene pessoal e renovadora. Há muito cascalho no caminho, há, entretanto, muito mais flores e cores para lhes abrir as diferentes rotas reluzentes do coração em paz e em amor-luz. O Cristo é o nosso melhor presente que o pai nos enviou, não deixemos nos levar pelo fanatismo que já nos impediu saltos mais altos e longos. Há que haver meios e fins melhores, porém, é no trabalho e na união que tudo começa e termina. A bandeira do cristo é a esperança jungida ao amor e a fé, portanto acalmem-se das intempéries dos poucos momentos de anfrólias e de sofrimentos, necessários para o crescimento individual e coletivo. Abram os corações para as ações renovadoras no bem e, em especial, no aconchego a estas almas, que hoje foram colocadas em grupos para a evolução do conjunto. Amem-se muito, renovem-se em Cristo-Jesus e esperem um porvir mais iluminado com paz interior e com esta doutrina de amor e de luz. Da amiga e irmã em Cristo. Isabel.

P.S. Parabéns por tudo que já fizeram.

 

Não me chamem de Princesa

Isabel nunca escondeu a humildade enquanto esteve encarnada. Agora desencarnada, ela continua o seu trabalho de resgate dos escravos que ainda estão presos e amordaçados espiritualmente. Mas em uma psicofonia recebida no dia 3 de dezembro de 2001, por um grupo de estudos formado por médiuns diversos, inclusive do GEIR, Grupo Espírita Izabel e Redentora em um local específico - Rua Guandu, 146, Teresópolis, RJ - Isabel pede para que não a chamem mais de Princesa:

"Onde houver um ser humilhado ele é meu filho onde estiver, para aconchegá-lo. Junto com irmãos maior esperança na tarefa aprendo a amar, ajudar a reerguer. Estamos também na guerra porque a escravidão não tem limites: a escravidão econômica, política, ideológica. Pedimos que parem as indústrias da guerra. Pedimos que invistam em remédios e vacinas. Parem de enviar dinheiro para financiar mentes doentes com o mal. Parem com as humilhações. Não humilhem a mais ninguém. Que o senhor os abençoe. Não me chamem de Princesa no Lar de Isabel."

 

Associação Espírita já foi Senzala

Em plena Zona Oeste do Rio de Janeiro, uma antiga Senzala deu lugar a uma Casa Espírita. A ABENA, Associação Beneficente Espírita Nazareno - Rua Sólon Botelho, 480, Campo Grande, RJ, Tel. (21) 3394-0396 - tem a sua estrutura fincada num terreno onde era a Fazenda do Outeiro. Lá ainda existem vestígios da época como um porão, agora fechado, que era a masmorra (prisão subterrânea) e o local onde foi o pelourinho (coluna que servia para castigar os escravos). Embora não existam evidências mediúnicas, o presidente da ABENA, Leon Pereira, acredita que a Princesa Isabel teve uma grande participação nesta transformação: "Ainda existem escravos e senhores de engenho sendo tratados através do trabalho doutrinário na Casa. Com certeza, a nossa redentora está participando dele". Hoje a ABENA realiza um trabalho na área Sócio-Educacional, de Assistência e Promoção Social, com crianças, adolescentes e terceira idade.

 

Outras Psicografias

"Meus queridos, aqui me apresento para, junto ao coração amoroso dos tarefeiros da Casa de Izabel - casa que não é minha, apenas traz meu nome, pois pertence a nosso senhor Jesus Cristo - comemorarmos em conjunta oração os 32 anos de sua fundação. Não creiais que os trabalhos em nome do cristo sejam tarefas fáceis e que não exijam dos dois planos muita renúncia, sacrifício e abnegação. A Izabel que vós outros conheceis não se fez sem antes ter percorrido estradas de muitos sofrimentos e dores, de muita renúncia e ter vertido muitas lágrimas, inclusive em minha última existência na terra. Só consegui a liberdade, alforriar minha alma do cadinho das provas redentoras, quando, finalmente, consegui colocar mente e coração definitivamente juntos ao Evangelho de Jesus e seguir adiante. Quando o Mestre dos Mestres me confiou mais esta tarefa de orientar a casa que hoje me homenageia e glorifica, foi porque ele sabe que, do nosso plano, precisamos dos que, como vós, encarnados, libertem-se e ajudem-nos a libertar das orbes sombrias, multidões de irmãos que ainda padecem aflições na carne e fora dela. Este trabalho é conjunto e exige muito amor. Peço-vos: amai-vos. Amai-vos com o amor incondicional que traz paz e equilíbrio à consciência. Só o amor desinteressado pelo seu próximo, sustentado na fé viva, consegue libertar-nos das ilusões do egoísmo e faz que possamos vislumbrar a luz. Aqui me encontro para dar testemunho do grande Amor que devoto a vós outros. Todas as vezes que algum de vós se dispuser a deixar o lar e vier em auxílio do sofrimento alheio eu estarei convosco. Todas as vezes que algum de vós, no auge das provas redentoras, me rogar auxílio e for detectada a resignação, a fé e a submissão à vontade de Deus, eu estarei convosco. Rogo ao pai e a nosso senhor Jesus Cristo que me permita ainda orientar esta Casa por outros 30, 60, 100, 200, 500 anos, para que assim muitos consigam se libertar dos grilhões que ainda afligem as almas, através da prática do puro amor. O amor, eis a única chave que abre as algemas que prendem os espíritos nas trevas da ignorância e da inconformação. O Amor perdoa, releva, fortalece, anima e sustenta os corações desesperados e aflitos, ora presos na carne, ora no mundo espiritual. O trabalho na Casa de Izabel é uma tarefa de amor, liberdade, crescimento e evolução. Que minha palavra possa ser repassada a todos os tarefeiros para que assim, neste dia especial, cada um se sinta amparado, fortalecido e sustentado pelo amor maior que vem do alto, não de mim, mas do coração generoso do Cristo de Deus, que me concede a graça de, junto com outros espíritos de luminosa Falange, estarmos aqui, juntos, unidos em singela prece para agradecermos ao pai e a Maria Santíssima os trinta e dois anos da casa que acolhe a tantos irmãos. Que amar e servir sejam sempre o objetivo dos trabalhadores desta casa já tão abençoada. Com a graça de Deus despeço-me de cada trabalhador, não sem antes pedir que seja levado meu ósculo de profundo carinho, amor e votos de muita paz aos corações destes meus queridos. Izabel".

Mensagem psicofônica transmitida pela médium Kátia Ferreira durante a reunião de Tratamento Espiritual, na tarde do dia 22 de junho de 2004, a partir da reconstituição da própria Kátia Ferreira, com a participação e lembranças da Carmem Almeida, que dirigiu a reunião, e demais componentes que participavam dos trabalhos: Isabel Torres, Lucimar, Maria Thereza, Reysa, Ricardo e Sonia Cunha.

"Graças a Deus. Hoje estão aqui todos que desta casa foram libertados. Hoje agradecemos, filhos do meu coração e alma que se iniciou, vimos crescer e o envolvimento e conseqüência desse amor. Em nome de cada família que se preocupava, sofria e procurava seus entes do coração. Obrigada em nome do Pai. Isabel".

Mensagem psicofônica recebida em dia 18 de novembro de 2002, por um grupo de estudos formado por médiuns diversos, inclusive do GEIR, Grupo Espírita Izabel e Redentora em um local específico - Rua Guandu, 146, Teresópolis, RJ.

 

Biografias

Manuel de Araújo Porto-alegre

Filho de Francisco José de Araújo e Francisca Antonia Viana, Manuel de Araújo Porto-alegre nasceu em Rio Pardo (SP) no dia 2 de novembro de 1806. Chegou ao Rio de Janeiro em 1827 para se matricular na Escola Militar do Rio de Janeiro. Se inscreveu também na Academia Imperial de Belas Artes, onde foi aluno de Jean Baptiste Debret. Em 25 de julho de 1831 viajou para Paris a convite de seu mestre Debret. Voltou para o Rio de Janeiro em 1837 quando passou a exercer atividades como arquiteto, professor de desenho, poeta, crítico e historiador de arte. Porto-alegre foi o primeiro artista a publicar uma caricatura entre 1837 e 1839. Lançou ainda, em1844, a Revista Lanterna Mágica, primeira publicação de humor político da imprensa brasileira, que circulou por 11 edições, incorporando a charge e a caricatura, que deixaram assim de ser vendidas separadamente. Deixou outras obras, entre elas, Colombo, Brazilianas e a Estátua Amazônica. Também exerceu atividades como vereador no Rio de Janeiro, membro do Instituto Geográfico Histórico Brasileiro, e nomeado diretor da Imperial Academia de Belas Artes em 1854, cargo que ocupou até 1857, quando iniciou sua carreira diplomática, primeiramente na Prússia, depois em Dresden (1860) e Lisboa, onde chegou em 1866. Em 1874 foi homenageado pelo Imperador D.Pedro II com o título de Barão de Santo Ângelo. Patrono da cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, Araujo Porto-Alegre ganhou nome de rua na cidade do Rio de Janeiro, justamente a rua onde fica a sede da histórica ABI - Associação Brasileira de Imprensa. Manuel de Araújo Porto-alegre retornou à Pátria Espiritual no dia 29 de dezembro de 1879.

 

Joaquim Manuel de Macedo

Joaquim Manuel de Macedo nasceu em 24 de junho de 1820 na cidade de Itaboraí (RJ). Em 1844, formou-se em Medicina no Rio de Janeiro, e no mesmo ano estreou na literatura com a publicação daquele que viria a ser seu romance mais conhecido, "A Moreninha". Como escritor foi o autor das seguintes obras: O Moço Loiro (1845), Os Dois Amores (1848), Rosa (1849), Vicentina (1853), O Forasteiro (1855), Os Romances da Semana (1861), Rio do Quarto (1869), A Luneta Mágica (1869), As Vítimas-Algozes (1869), As Mulheres de Mantilha (1871). Nas letras, Joaquim de Macedo foi romancista, poeta, cronista literário e dramaturgo. Além de médico e escritor, Macedo era jornalista, professor de Geografia e História do Brasil no Colégio Pedro II, e sócio fundador, secretário e orador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, desde 1845. Em 1849, fundou, juntamente com Gonçalves Dias e Manuel de Araújo Porto-Alegre (Barão de Santo Ângelo), a Revista Guanabara, que publicou grande parte do seu poema-romance A Nebulosa - considerado por críticos como um dos melhores do Romantismo. Foi membro do Conselho Diretor da Instrução Pública da Corte (1866). Abandonou a medicina e criou uma forte ligação com Dom Pedro II e com a Família Imperial Brasileira, chegando a ser professor dos filhos da Princesa Isabel. Como político, foi Deputado Provincial (1850, 1853, 1854-59) e Deputado Geral (1864-1868 e 1873-1881). Retornou à Patria Espiritual no dia 11 de abril de 1882. Joaquim Manuel de Macedo é o patrono da cadeira número 20 da Academia Brasileira de Letras (ABL), por escolha do fundador Salvador de Mendonça.

 

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon

Às 6:26 horas da tarde do dia 29 de julho de 1846 nascia a Princesa Isabel. segunda filha do Imperador D.Pedro II, assistida pelo Dr. Cândido Borges Monteiro, no Paço de São Cristóvão, Rio de Janeiro. Recebeu o pomposo nome de Isabel Cristina Leopoldina Augusta. Isabel, por causa da avó materna, Rainha de Nápoles; Cristina, que lembraria sua mãe, a Imperatriz Dona Tereza Cristina; Leopoldina. Em homenagem a sua avó paterna, a primeira Imperatriz do Brasil e Augusta como premonição do futuro que a aguardava. Com a morte de seu irmão mais velho, o Príncipe Dom Afonso, tornava-se, aos onze meses de idade, herdeira do trono e sucessora de seu pai. O reconhecido oficial como sucessora de seu pai foi em 10 de agosto de 1850 , quando a Assembléia-Geral, reunida no Paço do Senado, proclamou-a Herdeira do Trono na forma dos Artigos 116 e 117 da Constituição do Império. Em todos os tempos e lugares os casamentos de príncipes são motivos para as mais desencontradas opiniões e comentários. Era natural que o governo e o povo dessem a maior importância ao casamento da Princesa Isabel, dedicando-lhe toda a atenção. Cabia ao ministério movimentar a máquina diplomática para localizar um Príncipe Consorte. Depois de enorme correspondência trocada com a nobreza européia é a própria Princesa quem escolhe o seu Príncipe, Luís Gastão de Orléans, o Conde d'Eu. Em 18 de setembro de 1864, o príncipe francês pede a mão da herdeira do Império do Brasil. O casamento aconteceu na Capela Imperial, no Rio de Janeiro, a 15 de outubro daquele ano. Em 1871, D. Pedro II faz sua primeira viagem à Europa deixando, pela primeira vez, a Princesa Isabel como Regente do Império. Neste período, é assinada a 28 de setembro a Lei do Ventre Livre. Em 15 de outubro de 1875, quando comemoravam onze anos de casados, nascia no Palácio Princesa Isabel, em Petrópolis, o herdeiro, recebendo o nome de Pedro de Alcântara, e o título de Grão-Pará, que competia ao primogênito do Príncipe Imperial. No Palácio Imperial de Petrópolis, em 26 de janeiro de 1878, nascia o segundo filho da Princesa, Dom Luís Maria e a 9 de agosto de 1881, em função de uma demorada viagem à Europa, nascia o terceiro filho, Dom Antônio, no Palácio alugado da Rua de La Faisanderie, 27, Passy, Paris. A 30 de junho de 1887. com a partida do Imperador para a Europa, em tratamento de saúde, começava a 3ª Regência e a 3ª fase política da vida da Princesa. A escravidão estava de tal maneira presente na vida do Império que várias tentativas visando aboli-la acabavam esbarrando no conservadorismo dos fazendeiros e proprietários, mesmo entre os liberais. As relações entre a Regente e o Ministério de Cotegipe eram tensas, embora aparentassem ser cordiais. Enquanto a Princesa aliava-se ao movimento popular, o Ministério de Cotegipe defendia a manutenção da escravidão. Aproveitando-se da oportunidade oferecida por um incidente de rua, a Princesa substitui o Gabinete. O novo ministério, conhecido como o Gabinete da Abolição, tinha a frente o Conselheiro João Alfredo, a quem a Princesa sugeriu, no discurso de posse, que fizesse o quanto antes a abolição da escravatura. A 13 de maio, um domingo, seriam as últimas votações e a Princesa, certa da vitória, descia de Petrópolis para aguardar no Paço da Cidade o momento de assinar a Lei Áurea. Na euforia e no entusiasmo pelo seu dia de glória, só ouvia a Princesa os louvores e os aplausos. Com a Proclamação da República, embarca a Família Imperial para o exílio na Europa. A velhice transcorreu tranqüila e calma para a Princesa Isabel. Rodeada do marido e dos filhos (dois dos quais levados pelas conseqüências da Primeira Guerra Mundial) e por seus netos, que passaram a constituir o seu encantamento. Nos últimos anos, teve dificuldades para se locomover e constantemente era empurrada numa grande cadeira de rodas pelos corredores e salões do castelo d'Eu. A 14 de novembro de 1921, retornava à Pátria Espiritual "aqueles olhos cheios de lembranças do Brasil".

Fontes das imagens

  • Museu Imperial de Petrópolis
  • Arquivo Nacional
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