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Certamente estamos todos espantados: já é novamente Natal! Logo estaremos armando a árvore de natal, instalando as luzinhas, enviando os cartões, comprando os presentes, preparando a ceia, as rabanadas, o panetone... E há ainda os almoços de fim de ano com os colegas de trabalho, os encontros com os amigos com quem não poderemos estar na noite de Natal, os mil telefonemas de bons votos, as mil e umas mensagens virtuais etc., etc., etc.

A contagem regressiva já começou para muitos - e a correria também! E os dias e as noites se sucedem; tudo parece se acelerar além das nossas expectativas e possibilidades de atender à programação planejada e, em geral, (nem sempre) silenciosamente cobrada...

Esse é o Natal que brilha nas ruas decoradas, que enfeita os shoppings, as vitrines das grandes e pequenas lojas, que colore janelas, portas, varandas e sacadas de casas e apartamentos, que invade nossos lares pela televisão, pela internet.

Esse é o tipo de Natal que a sociedade, de um modo geral, seduzida pela ilusão do ter e da beleza transitória, da alegria fugidia, estabeleceu como sendo a grande data de comemoração do aniversário de Jesus de Nazaré - seja este o verdadeiro dia ou não, tal como alguns historiadores já comprovaram; esta é a maneira como milhões de criaturas decidiram homenagear esse evento tão importante para a humanidade.

Contudo, quantos seremos os que, ainda que respeitando as exigências sociais inerentes a situações particulares, ou os que, mesmo submetidos à precariedade de possibilidades econômicas, nos damos conta do grande significado histórico, moral e fraterno daquele momento para uma grande parte do mundo...

Jesus, aquele homem de Nazaré, nascido em Belém de Judá, correspondendo a tantas profecias anunciadas muitos séculos antes, certamente não foi um homem qualquer - foi um marco e um divisor na contagem do tempo no mundo ocidental e, mais ainda, foi um divisor e um inovador incontestável do pensamento moral da época.

Difundiu sobretudo pelo exemplo, por sua própria vivência, um novo código de relacionamento entre as criaturas. Deixou muito claro, para quem tivesse olhos de ver e ouvidos de ouvir, que a sinceridade dos bons propósitos e a transparência dos procedimentos bem intencionados são alicerces firmes para a construção de uma convivência pacífica e feliz entre os seres.

Não se engalanou com títulos, nem adornos; não instituiu seita ou religião, nem igreja ou templo, nem cerimônia ou ritual de qualquer tipo - não poderia, posto que pretendesse, acima de tudo, que a sua morada fosse o coração de cada homem; que sua glória fosse perceber em cada homem o extremo valor da simplicidade; que sua consagração fosse cada homem compreender o profundo alcance das leis naturais legadas pelo criador.

Chegado o tempo em que a criatura, já não mais suportando a ganância, a hipocrisia e o autoritarismo de todo tipo, se debatia na busca do entendimento e de objetivos que lhe acenassem respostas aos quesitos mais fundamentais formulados pela razão e pelo anseio de felicidade, a nossa doutrina espírita nos apresenta justamente esse homem nazareno como modelo e guia.

Teria sido por hábito? Por comodismo? Ou porque a religião convencional mais difundida em terras ocidentais o tivesse imposto, inclusive como Deus? Não, naturalmente que não. A doutrina no-lo coloca como exemplo justamente porque ele foi um homem comum, um homem de bem, espírito elevado, antigo e consequentemente sábio, que fez sua caminhada evolutiva como a fazemos cada um de nós, dentro de nossos contextos específicos.

É precisamente sua elevação espiritual que lhe permite demonstrar a inutilidade dos apetrechos e superficialidades com que atravancamos nossa caminhada, causando-nos inclusive embaraços, estorvando nossos passos, nos enredando e prendendo ao mesmo lugar por tempo indeterminado.

É precisamente seu alto gabarito evolutivo que lhe possibilita demonstrar efetivamente o que seja amar sem medo, sem convenções, sem preconceitos, mas com justeza, discernimento e lucidez; amar o amor; amar a pessoa pelo potencial que ela encerra, conseguindo visualizá-lo e fazê-lo brotar, e não apenas pela beleza ou vantagem e conveniência que muitas vezes somente momentaneamente proporciona.

Vamos, então, nós espíritas, tentar comemorar o aniversário desse irmão mais velho da maneira como ele merece - com menos ostentação, mais solidariedade e mais amor; não só em relação a ele, mas igualmente em relação aos que nos cercam, os familiares e amigos; e aos outros, quem quer que sejam, inclusive os que sabemos em lares menos abastecidos, em abrigos, asilos, hospitais e presídios, nas ruas, e ainda os enredados em crimes e vícios de toda sorte.

Seja o Natal do espírita comemorado com Jesus e a humanidade, numa grande festa de solidariedade autêntica, sincera e profunda, a fim de que esse sentimento possa espalhar-se, pelo menos, até o próximo aniversário do Mestre.

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