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Prezado Jornalista Joaquim Ferreira dos Santos,
Na nota "Lei Seca Espiritual", publicada em sua coluna na edição de domingo (21/08/2011) do jornal O Globo, foi divulgado que "O Centro Espírita Bezerra de Menezes, no Estácio está proibindo seus cambonos de tomar cachaça no processo ritualístico de se elevar até aos santos daquele terreiro. A medida serve também para os fiéis. Procura-se com isso evitar que, na saída do transe, os espíritas tenham problemas com os terráqueos da Lei Seca.”

Revela-se na nota uma total incoerência, uma vez que os termos usados dizem respeito a Umbanda, não havendo motivo para que sejam confundidos com o Espiritismo, doutrina codificada por Allan Kardec.
Acredito que isso já é conseqüência do Jornalista não precisar de frequentar os bancos da Faculdade para exercer a venerável profissão, pois os erros cometidos na curta nota, vê-se total desconhecimento da cadeira de Antropologia, ministrada nos Ciclos Básicos dos cursos de
Jornalismo, na qual é ensinado que historicamente a Umbanda teve início em nosso país no século XVI, com a vinda dos nossos irmãos africanos através da escravatura do negro no Brasil, os quais incorporaram impositivamente rituais do catolicismo às suas crenças de origem.
Já o Espiritismo teve início na França, a partir de 18 de abril de 1857, com a publicação de "O Livro dos Espíritos", que chegou ao Brasil por volta de 1860. Portanto, a Doutrina Espírita não tem vínculo algum com cultos de origem africana, seitas ou rituais de magismo, pois não resulta de qualquer forma de sincretismo religioso e muito menos vinculado se encontra a outras práticas assemelhadas, como é o caso da Umbanda, que está mais próxima do Catolicismo do que de qualquer outro culto religioso adotado no Brasil.
Além do mais, no Espiritismo não há função sacerdotal. Por essa razão ele não adota de forma alguma denominações como pai-de-santo, cambono e outras do género.
Assim sendo, vale frisar que o espírita (neologismo criado por Allan Kardec) é o seguidor do Espiritismo, doutrina por ele codificada que não adota rituais de espécie alguma, não faz uso de bebidas alcoólicas, nem tampouco usa imagens de santos ou de entidades de cultos africanos nos Centros Espíritas.
Outro fato ainda que não pode ser deixado de lado é o de que o IBGE, de acordo com as determinações estabelecidas pelo Ministério da Justiça diante da realidade brasileira, faz a distinção em seus questionários para fins de coleta de dados, inclusive os dos Censos de
2000 e 2010, separando Católicos, Evangélicos, Espíritas, Umbandistas e Candomblecistas.
Certo de estar colaborando para que esta renomada coluna e o jornal informem com precisão os fatos para seus leitores, agradeço a atenção dispensada e coloco-me a sua inteira disposição, para qualquer esclarecimento posterior.

 

Atenciosamente,


Gerson Simões Monteiro
COLUNISTA DO JORNAL EXTRA DESDE ABRIL DE 1998, e Ex-presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro (USEERJ), atual CEERJ
Conselho coordenador do Movimento Espírita do Estado do Rio de Janeiro)

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