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ESPIRITISMO - FINALIDADE E OBJETIVO

 

Face a tantos filmes (cerca de 20), novelas, livros e mensagens de cunho espírita e/ou espiritualista, pensamos ser este o momento de relembrarmos o que seja efetivamente a Doutrina Espírita, a fim de podermos bem analisar e distinguir o que seja verdadeiramente útil para o nosso crescimento intelecto-moral e não apenas distração e curiosidade até certo ponto interessantes.

 

Nosso mestre espírita maior, Allan Kardec, em Obras Póstumas, no capítulo Credo Espírita, esclarece plenamente a finalidade e o objetivo da doutrina: “Ministrando a prova material da existência e da imortalidade da alma, iniciando-nos nos mistérios do nascimento, da morte, da vida futura, da vida universal, tornando-nos palpáveis as inevitáveis consequências do bem e do mal, a Doutrina Espírita, melhor do que qualquer outra, põe em relevo a necessidade da melhoria individual. Por meio dela, sabe o homem de onde vem, para onde vai, porque está na Terra; o bem tem um objetivo, uma utilidade prática. Ela não se limita a preparar o homem para o futuro, forma-o também para o presente, para a sociedade. Melhorando-se moralmente, os homens prepararão na Terra o reinado da paz e da fraternidade”.

 

Nada mais claro e prático para nos permitir compreender o de que realmente necessitamos para a construção de uma vida, tanto física quanto extrafísica, mais tranqüila, menos imprudente e consequentemente mais feliz – porque isso é o que a humanidade em sua totalidade, encarnada e desencarnada, mais almeja.

 

Com o conhecimento da vida universal, da nossa interdependência e impermanência em quaisquer situações, materiais e/ou espirituais, entendemos um pouco mais o que Kardec define como “inevitáveis conseqüências do bem e do mal”, isto é, aquilo a que chamamos “plantio e colheita”, “lei de causa e efeito”, ou o que muitos chamam de “carma”. Fica assim bem definido o objetivo e a utilidade prática do exercício do bem, se possível, em sua plenitude, ou seja, inclusive a partir do pensamento – porque é faculdade de pensar, discernir e escolher que distingue o Espírito como “ser inteligente da criação” (OLE q.76).

 

Quando Deolindo Amorim, espírita lúcido, fundador do Instituto de Cultura Espírita do Brasil e autor de inúmeros livros de teor altamente doutrinário, nos afirma que “o Espiritismo é, para nós, uma filosofia de vida, não é simplesmente uma crença” (1), pretende o companheiro de ideal mostrar que a nossa doutrina “embora se preocupe diretamente com a vida futura ou extraterrena, não deixa, todavia, de cogitar do bem-estar humano, discutindo os aspectos fundamentais da questão social” (2). Ou seja, ela nos oferece ferramental imprescindível a fim de nos possibilitar trabalhar conscientemente para vivermos melhor e convivermos melhor uns com os outros ainda aqui no plano terreno, sem a ilusão de que somente no plano espiritual poderemos encontrar paz, harmonia e felicidade.

 

O companheiro ainda nos adverte que “O Espiritismo parte de princípios e objetivos que visam justamente colocar a criatura humana em condições de superar o culto material, a crença no poder miraculoso de objetos e no carisma de pessoas endeusadas pela submissão de adoradores (...) Ele é um conjunto homogêneo de princípios”(3).

 

No item VI da Conclusão de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec também nos adverte: “Seria fazer uma idéia bem falsa do Espiritismo acreditar que ele tira sua força da prática de manifestações materiais e que, portanto, entravando-se essas manifestações, pode-se minar-lhe as bases. Sua força está na sua filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom-senso”.

 

Com essas recomendações já temos elementos suficientes para nos precaver contra a sedução de palavras pomposas, fisionomias beatificamente estereotipadas, textos floreados, imagens bonitas e estetica e tecnologicamente elaboradas; já podemos ficar mais atentos ao teor da mensagem propriamente dito, quer falada, escrita ou visual; ao contexto que se pretende imprimir, difundir e fazer crer e aceitar como válido. Se já conhecemos a doutrina, ainda mesmo que não de modo aprofundado, temos a possibilidade da análise imparcial e racional, sem as injunções do maravilhoso, do sobrenatural, do dogmático e indiscutível.

 

Diz-nos ainda Kardec, na Revista Espírita de janeiro de 1867: “Livres pensadores, nova designação pela qual se designam os que não se sujeitam à opinião de ninguém em matéria de religião e de espiritualidade, que não se julgam ligados pelo culto nem obrigados à observação de práticas religiosas quaisquer (...) Todo homem que não se guia pela fé cega é, por isto mesmo, livre pensador – a este título, os espíritas são livres pensadores”. Portanto, cabe-nos o dever de tudo submeter à razão e ao bom-senso, os quais, felizmente, já desenvolvemos o suficiente para nos permitir escolher aquilo que verdadeiramente nos interessa e nos fortalece para seguir a caminhada evolutiva com mais segurança.

 Doris Madeira Gandre – RJ – out.2010 – email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.(1)  O Espiritismo e os Problemas Humanos(2)  Análises Espíritas(3)  O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas

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