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A 18 de abril de 1857, Allan Kardec, até então Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, lançava a público o LIVRO DOS ESPÍRITOS que se tornaria, como definiu o também Professor José Herculano Pires, “o código de uma nova fase da evolução humana e uma nova luz nos horizontes mentais do mundo”.

Com efeito, será que compreendemos realmente o que representou e representa para nós esse livro, isto é, todo o manancial de conhecimento acerca da vida em sua plenitude e infinitude, em todos os planos e níveis em que ela palpita e se expande; o descortinar explícito e transparente que nos traz acerca das leis naturais que regem toda a criação, do macro ao microcosmo, inclusive nós, espíritos em ascensão evolutiva contínua e inevitável?

O que lamentavelmente tenho verificado no decorrer dos anos em que venho me dedicando ao estudo e à divulgação da doutrina é que nós, espíritas, à medida que o tempo passa e que tantas outras obras espiritistas vêm à luz, muitas boas, muitas dispensáveis, outras tantas até mesmo discutíveis e/ou equivocadas, vamos deixando de lado, esquecido na prateleira, esse livro PILAR da doutrina espírita!

Nenhum outro livro ou mensagem pode ser avaliado e inclusive verdadeiramente entendido sem que tenhamos firmado em nós os princípios espíritas gerais que nos apresenta o Livro dos Espíritos. E, embora de pasmar, existem mesmo os que o rotulam de ultrapassado em razão de sua linguagem “antiga e difícil”...

Do Livro dos Espíritos surgiram todos os demais livros da codificação e é ainda o Professor Herculano Pires quem nos esclarece:

1º) A primeira e segunda partes, até o capítulo V, refere-se ao próprio livro;

2º) o Livro dos Médiuns, parte experimental da doutrina, surge da segunda parte, a partir do capítulo VI até seu final;

3º) o Evangelho Segundo o Espiritismo é decorrência da terceira parte, as Leis Morais;

4º) o Céu e o Inferno resulta da quarta parte, Esperanças e Consolações;

5º) e finalmente a Gênese relaciona-se com os capítulos II, III e V da primeira parte, com os capítulos IX, X e XI da segunda parte, assim como com alguns trechos de capítulos da terceira parte.

E o estimado espírita ainda recomenda: “Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para o outro e depois esquecer no canto da estante. Nosso dever é estudá-lo e meditá-lo, lendo-o e relendo-o constantemente”.

E o próprio Kardec, em sua introdução, afirma: “Dirigímo-nos às pessoas de boa-fé, sem ideias preconcebidas ou posições firmadas, mas sinceramente desejosas de se instruírem (...) Acrescentemos que, o estudo de uma doutrina como a espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova e grande, não pode ser feito com proveito senão por homens sérios, perseverantes, isentos de prevenções e animados de uma firme e sincera vontade de chegar a um resultado (...) O que caracteriza um estudo sério é a continuidade (...) Quem quer adquirir uma ciência deve estudá-la de maneira metódica, começando pelo começo e seguindo o seu encadeamento de idéias”.

Tais recomendações não poderiam ser mais lúcidas e lógicas – começar pelo começo, com seriedade e empenho, é o que muitos de nós não fazemos, iniciando os primeiros passos vacilantes no campo doutrinário em terreno perigoso quando, antes do estudo metódico e continuado da codificação espírita, nos lançamos à leitura de romances ou até mesmo dos bons livros de André Luiz, particularmente do Nosso Lar...

Cerca de um mês e pouco após o lançamento do Livro dos Espíritos, um jornal de Paris estampava um artigo do qual recolhemos alguns trechos: “O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do próprio grande livro do infinito (...) A todos os deserdados da Terra, a todos quantos marcham e que, nas suas quedas, regam com lágrimas o pó da estrada diremos: Lede o Livro dos Espíritos; ele vos tornará mais fortes. Também aos felizes, aos que pelo caminho só encontram aclamações e sorrisos da fortuna, diremos: Estudai-o e ele vos tornará melhores (...) O corpo da obra, diz o Sr. Allan Kardec, deve ser atribuído inteiramente aos Espíritos que o ditaram. Está admiravelmente dividido no sistema de perguntas e respostas. Por vezes estas últimas são sublimes, o que não nos surpreende. Mas não foi necessário um grande mérito a quem as soube provocar?”

Chegaram a Kardec ainda muitas outras cartas e declarações de muitos beneficiados com os novos ensinamentos e recomendações encontrados nessa obra fundamental, pedra angular do Espiritismo – remetemos os leitores à Revista Espírita de janeiro de 1858...

Assim, companheiros de ideal, após 155 anos já é tempo de olharmos para esse livro monumental com olhos de ver, com o respeito e o carinho que ele merece, despindo-nos da pretensão de pseudo-sábios e assumindo, com a indispensável humildade de que carecemos, a nossa posição de aprendizes ainda, mas de aprendizes verdadeiramente interessados em aprender.

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