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O espiritismo mostra-nos a diversidade da arte através da mediunidade, n’O Livro dos Médiuns[1] percebemos que o gosto pela arte é intuitivo e leva o homem à busca de inspirações.

A definição mais simples de arte seria: uma atividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada a partir da percepção, das emoções e das ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias da consciência e dando um significado único e diferente para cada obra.

As psicografias[2] como obras literárias encabeçam a arte espírita, e um de seus patamares mais conhecidos no espiritismo é o Sr. Thomas P. James (1873), um humilde operário que psicografou a conclusão de o romance inacabado O Mistério de Edwin Drood, de Charles Dickens[3] (1812-1870). Desta forma, pode-se dizer que Thomas P. James foi o precursor do fenômeno líteromediúnico. Outro caso exemplo é o de Raymond, filho do cético pesquisador psíquico, Sir. Oliver Lodge[4], falecido na Primeira Guerra Mundial (1915), que transmitiu diversas mensagens através da médium Glads Osborne Leonard (1882-1960), que fez a famosa obra Raymond, traduzida no Brasil por Monteiro Lobato[5].

Na música, temos diversos artistas que usam da mediunidade para divulgar a doutrina espírita e, nessa capacidade mediúnica, destacamos a médium inglesa Rosemary Brown (1916-2001), conhecida pela psicomusicografia, deixando vários volumes de partituras originais com estilo próprio de compositores ilustres já falecidos há muitas décadas como Frédéric Chopin (1810-1849), Franz Liszt (1811-1886), Ludwig van Beethoven (1770-1827).

Na  Psicopictografia[6], mostraram sua arte: Madge Gill (1882-1961)  Raphaël Lonné (1910-1989)  Hélène Smith (1861-1929) e Laure Pigeon (1882-1965).[7]

Porém, o caso do senhor Augustin Lesage (1876-1954) tem destaque. Lesage era um simples minerador de quase nenhuma cultura e, uma noite, aos 35 anos (1911), enquanto em uma mina, ouviu uma voz que lhe anunciava: “Um dia serás pintor!”. No ano seguinte, iniciou-se no espiritismo, participando em sessões mediúnicas. Em uma das sessões, houve presença que atribuiu à sua irmã Maria, que falecera com três anos, começou a executar desenhos automáticos. E por sua própria mão, que recados começaram a ser-lhe entregues: “As vozes que ouviste falavam a verdade: um dia serás pintor”.

Em 1927, Lesage passa a pintar e foi convidado pelo Dr. Osty[8] do Instituto Metapsíquico Internacional, a apresentar-se defronte de personalidades ligadas ao meio científico com o objetivo de estudar os fenômenos paranormais.
Dos encontros realizados entre os dois, o Dr. Osty realizou um estudo que foi publicado pela primeira vez em 1928, na Revista Metapsíquica.

A arte no espiritismo ganhou destaque através de Victorien Sardou[9] (1831 - 1908), que elaborou “águas-fortes”[10] onde incorporava o espírito do artista vidraceiro e ceramista francês Bernard Palissy (1510 – 1589), dito habitante de Júpiter e que espontaneamente produziu desenhos de seu planeta, a fim de inspirar o amor ao bem e cultivar a esperança nos homens da Terra de um dia também lá habitarem

“Quando é visto no trabalho, concebe-se facilmente a ausência de toda concepção premeditada e toda vontade; sua mão, arrastada por uma força oculta, faz no lápis ou no buril o andamento mais irregular e o mais contrário aos preceitos mais elementares da arte, indo, sem cessar, com uma rapidez estranha de um lado ao outro da prancha sem deixá-la, para retornar cem vezes ao mesmo ponto; todas as partes são assim começadas e continuadas ao mesmo tempo, sem que nenhuma seja acabada antes de empreender uma outra. Disso resulta, à primeira vista, um conjunto incoerente, do qual não se compreende o fim senão quando tudo está terminado. Esse andamento singular não é o próprio do senhor Sardou; vimos todos os médiuns desenhistas procederem do mesmo modo. Conhecemos uma senhora, pintora de mérito e professora de desenho, que goza dessa faculdade. Quando ela desenha como médium, opera, malgrado ela, contra as regras, e por um procedimento que lhe seria impossível seguir quando trabalha sob a sua própria inspiração e em seu estado normal. Seus alunos, disse-nos ela, ririam muito se lhes ensinasse a desenhar à maneira dos Espíritos.”(KARDEC, setembro 1858, p. 264)

 


[1] KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns Cap. XVI - Dos médiuns especiais. - Aptidões especiais dos médiuns. - Quadro sinóptico das diferentes espécies de médiuns

[2] Psicografia (do grego, escrita da mente ou da alma), segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos.

[3] Charles John Huffam Dickens, também usava o psiodônimo de Boz no início da sua atividade literária. Foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana.

[4] Sir Joseph Oliver Lodge, cientista inglês (1851-1940), foi Professor de Física do Colégio Universitário de Liverpool, diretor da Universidade de Birmingham e coeditor do importante periódico Philosophical Magazine.

[5] Monteiro Lobato (1882-1942): contista, ensaísta, tradutor e escritor.

[6] Psicopictografia, popularmente referida como pintura mediúnica, é uma manifestação mediúnica pela qual um espírito, através de um médium, se expressa por meio de pinturas ou desenhos.

[7] O fenômeno da psicopictografia é de tradição espírita, tendo sido inaugurado  por Victor Hugo (1802 – 1885), célebre escritor e poeta francês

[8] EUGÈNE OSTY: médico neurologista, vice-presidente honorário da Nacional Harry Laboratório de Pesquisas Psíquicas e Fundador e Diretor do IMI (Instituto de Metapsíquica Internacional) entre os anos de 1924-1938, sendo que atualmente ainda existente este Instituto em Paris.

[9]Victorien Sardou: dramaturgo francês e um dos primeiros seguidores de Allan Kardec.

[10] Revista Espírita de agosto de 1858

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