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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2014
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      A Doutrina Espírita é riquíssima em informações a respeito da necessidade da reencarnação como caminho primordial e exclusivo para o espírito na busca do Infinito dentro de si; empreitada já conquistada pelo excelso Mestre Jesus, situando-se na primeira ordem da escala evolutiva que é a dos espíritos bem-aventurados ou puros (Q. 160 de “O Livro dos Espíritos”- “OLE”).

      BOX 1: O QUE ENSINA A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS SOBRE A OBRIGATORIEDADE DO MERGULHO NA CARNE?

      Assim como toda a criação, o Cristo foi gerado simples e ignorante e se “instruiu nas lutas e tribulações da vida corporal, percorrendo todos os graus da escala evolutiva, despojando-se de todas as impurezas da matéria”, conforme ensinam as questões 133 e 113 de “OLE”.

      É na vibração mais densa, portanto, que o ser espiritual escolhe o seu caminho: “ Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que pode subir e descer; se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros” (Q.634 de “OLE”).

      Diz o insigne Léon Denis, na obra “Depois da Morte”, que a alma só adquire conhecimento no homem (FEB, pág. 124). No livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, esse ilustre pensador enfatiza que “só no homem a alma acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente...”.

      Segundo a codificação kardeciana, “a união do Espírito e da matéria é necessária” (Q.25 de “OLE”), já que “os espíritos têm que sofrertodas as vicissitudes da existência corporal” (Q.132 de “OLE”) e “são felizes de conformidade com o grau de desmaterialização a que hajam chegado” (Q. 231 de ”OLE”).

      Kardec diz: “a vida do espírito se compõe de uma série de existências corpóreas, cada uma das quais representa para ele uma ocasião de progredir” (Q.191 de “OLE”).

      Quando aborda, na escala espírita, a Segunda Ordem, correspondendo a dos Bons Espíritos, a Doutrina Espírita relata que esses seres têm “ predominância sobre a matéria”, embora “não estando ainda completamente desmaterializados” (Q. 107 de “OLE”).

      Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, São Luís ensina que “ a passagem dos espíritos pela vida corporal é necessária para que possam cumprir, com a ajuda de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confiou; ela é necessária a eles mesmos porque a atividade que são obrigados a desempenhar ajuda o desenvolvimento de sua inteligência” (item 25, cap. IV).

      Realmente, a pluralidade das existências é a via única para o alcance da plenitude espiritual. A conquista do Reino de Deus, imanente em todos os seres, no momento em que no estado de perfeição a que chegaram, “percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria” e “não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, não se acham mais submetidos às necessidades, nem às vicissitudes da vida material” (Q. 113 de “OLE”).

      Os ensinamentos grifados acima, retirados da codificação espírita, revelam enfaticamente que a reencarnação é incontestavelmente o exclusivo caminho para a evolução do ser espiritual. Corroborando essa afirmativa, na obra “Obras Póstumas”, encontra-se o seguinte enunciado: “ A encarnação dos espíritos está nas leis da Natureza; é necessária ao adiantamento deles e à execução das obras de Deus.

      Pelo trabalho, que a existência corpórea lhes impõe, eles aperfeiçoam a inteligência e adquirem, cumprindo a lei de Deus, os méritos que os conduzirão à felicidade eterna . Daí ressalta que, concorrendo para a obra geral da criação, os espíritos trabalham pelo seu próprio progresso” (Cap. III, item 21).

      A seguir, no item 24, do cap. XI, da obra básica doutrinária “A Gênese”, Kardec afirma que “a obrigação que tem o Espírito encarnado de prover o alimento do corpo, a sua segurança, o seu bem-estar, o força a empregar suas faculdades em investigações, a exercitá-las e desenvolvê-las. Útil, portanto, ao seu adiantamento, é a sua união com a matéria. Daí o constituir uma necessidade a encarnação

      Além disso, pelo trabalho inteligente que ele executa em seu proveito, sobre a matéria, auxilia a transformação e o progresso material do globo que lhe serve de habitação. É assim que, progredindo, colabora na obra do Criador, da qual se torna fator inconsciente”.

      BOX 2: TESES ESPIRITUALISTAS DISCORRENDO SOBRE EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO SEM A GUARIDA ESPÍRITA

      É importante frisar que a Doutrina Espírita não considera a hipotética afirmação de que a evolução se processa fundamentalmente nos domínios extrafísicos, sendo a Terra e outros mundos semelhantes criados para moradas dos seres faltosos, falidos, exilados, “castigados por Deus”. Há, ainda, o relato de que até mesmo seres que já haviam atingido alta evolução (“espíritos superiores”), somente vivendo na dimensão espiritual, inclusive colaborando com Deus nos processos da Criação, assenhoreados pelo orgulho, foram penalizados, sendo levados à encarnação humana (“anjos decaídos”), constituindo “larvas rastejantes e informes”.

      Repelindo essas equivocadas declarações, em “A Gênese”, o excelso Kardec afirma: “ Normalmente, a encarnação não é uma punição para o espírito conforme pensam alguns, mas uma condição inerente à inferioridade do espírito e um meio de ele progredir . À medida que ele progride moralmente, o espírito se desmaterializa, isto é, depura-se, com o subtrair-se à influência da matéria; sua vida se espiritualiza, suas faculdades e percepções se ampliam; sua felicidade se torna proporcional ao progresso realizado”.

      Na Revista Espírita de Junho-1863, pág. 163, Edicel, o codificador, assim se expressou: “Segundo um sistema que tem algo de especioso à primeira vista, os espíritos não teriam sido criados para encarnarem e a encarnação não seria senão o resultado de sua falta. Tal sistema cai pela mera consideração de que se nenhum espírito tivesse falido, não haveria homens na Terra, nem em outros mundos. Ora, como a presença do homem é necessária para o melhoramento material do mundo, como ele concorre por sua inteligência e sua atividade para a obra geral, ele é uma das engrenagens essenciais para a Criação.

      Deus não podia subordinar a realização desta parte de sua obra à queda eventual de suas criaturas, a menos que contasse para tanto com um número sempre suficiente de culpados para fornecer operários aos mundos criados e por criar. O bom senso repele tal ideia”.

      Continuando a analisar a malsinada tese de que a “encarnação é um castigo’, Kardec afirma: “A encarnação é, pois uma necessidade para o espírito que, realizando a sua missão providencial, trabalha seu próprio adiantamento pela atividade e pela inteligência, que deve desenvolver, a fim de prover à sua vida e ao bem-estar. Mas a encarnação torna-se uma punição quando, não tendo feito o que devia, o espírito é constrangido a recomeçar a sua tarefa e multiplicar suas existências corpóreas penosas por sua própria culpa... O que é errado é admitir a encarnação como um castigo”.

      Enfaticamente, o Espiritismo ensina que o espírito, criado simples e ignorante, não vivencia o bem e o mal na dimensão espiritual, ressaltando que “é preciso que o espírito ganhe experiência; é preciso, portanto, que conheça o bem e o mal. Eis por que se une ao corpo”. (Q. 634 de “OLE”). Portanto, se conhece o bem e o mal, na carne, não pode o ser espiritual, inclusive já “superior”, “trabalhando até na constituição de planetas”, ter errado, na dimensão extrafísica, antes de sua primeira encarnação (?), a qual constitui como ensina a Doutrina Espírita, uma necessidade para o princípio inteligente, já dotado da individualidade ou conscientização de si mesmo, ingressando, na humanidade, com triunfo e nunca como um castigo, depois de percorrer com sucesso os diversos reinos, sabendo que “... tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo” (Q. 540 de “OLE”).

      Quanto à segunda infeliz declaração, relatando a encarnação de “anjos falidos” como “larvas rastejantes e repugnantes”, tentando ressuscitar a famigerada teoria da metempsicose, rebate a Doutrina Espírita, dizendo que “os espíritos podem conservar-se estacionários, mas não retrogradam”. (Q. 178-a de “OLE”).

      Como é importante o estudo profundo das obras básicas doutrinárias, desde que, provido verdadeiramente dos conhecimentos trazidos pelo Consolador entre nós, o profitente espírita pode descartar os pensamentos mediúnicos de fonte inferior que trazem a confusão e a discórdia.

      Em verdade, os falsos profetas do além, “com o objetivo evidente de ridicularizar o Espiritismo para dele afastar as pessoas de bom senso” (Herculano Pires, em “O Verbo e a Carne”), sempre estão a postos intentando solapar a magnânima e excelsa Doutrina de Jesus, como está sendo verificado, atualmente, com a publicação de obras mediúnicas, relatando atividade sexual, na erraticidade, com fecundação e nascimentos de espíritos, de almas de aves e de animais.

      Definiram o inusitado fenômeno de “Reencarnação no Plano Espiritual”, ferindo, não somente a codificação kardeciana, como igualmente o vernáculo, desde que reencarnar (prefixo “re” + encarnar, do latim incarnare) é voltar à dimensão física, ou seja, tornar o espírito a habitar um corpo carnal com o objetivo de se burilar e se aperfeiçoar na senda do progresso a que todos os seres estão predestinados. Portanto, só se reencarna, é claro, na carne. A criação ou fecundação de espíritos é essencialmente obra divina. É extrema tolice, intenso disparate, afastar Deus da criação dos espíritos.

      BOX 3: SEM A REENCARNAÇÃO, NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE O ESPÍRITO ALÇAR VOOS EM ALTA VIBRAÇÃO ESPIRITUAL

      O Espiritismo nega a evolução do espírito na erraticidade, dizendo que se o indivíduo não reencarnasse, permaneceria estacionário, conforme revela a Q. 175 (a) de “OLE”.

      Na obra “A Terra e o Semeador”, o confrade Salvador Gentile pergunta:

      “Chico Xavier, por que se diz que o espírito para evoluir precisa encarnar? No Mundo Espiritual, ele não evolui? Qual a diferença principal entre as duas faixas de evolução quanto ao aprendizado?”

      Corroborando a codificação kardeciana, o ilustre medianeiro diz que “internados no corpo terrestre é que somos instruídos a respeito da necessidade de mais ampla harmonização de nossa parte, uns com os outros, certamente porque, vivendo nas esferas espirituais próximas da Terra, com aqueles que são as criaturas absolutamente afinadas conosco, não percebemos de pronto as necessidades de aperfeiçoamento e progresso.

      Numa comunidade ideal, com vinte, quarenta ou dez pessoas raciocinando por uma faixa só, estamos tão felizes que corremoso risco de permanecer estanques em matéria de evolução por muito tempo. Beneficiados com a reencarnação, o estacionamento é quebrado de modo natural...” (Chico, nessa resposta, respeitando a codificação kardeciana, diz que a estagnação do ser, na espiritualidade, é finda, naturalmente, sem qualquer conotação punitiva).

      Nas paragens espirituais, o ser espiritual, ainda deficiente, em grande proporção, se mantém nas malhas do arrependimento e do remorso, desejoso de outras experiências na carne, aproveitando o abençoado esquecimento do passado para restaurar sua paz, retificando seu caminho de dívidas e dúvidas.

      Na erraticidade, tudo o que ele adquire como aprendizado, o que o faz melhorar discretamente na faixa evolutiva em que se encontra, terá que ser testado na dimensão física; portanto, só ascende, subindo para outro degrau da escada evolutiva quando passar pelas provas e expiações. O indivíduo faz cursos de aprendizagem como um vestibulando, mas só pode se graduar, quando se tornar vitorioso após as provas e cursar com sucesso a universidade da vida na matéria. O que adquiriu na espiritualidade, com muita vontade e desejo, todavia, terá de ser posto em prática na vivência corpórea, como ensina a Q. 230 de “OLE”.

      BOX- 4: A OBRIGATORIEDADE DA REENCARNAÇÃO NA ARENA FÍSICA, SEGUNDO JESUS: “IMPORTA-VOS NASCER DE NOVO” (JOÃO 3:7-8)

      Corroborando a Doutrina Espírita, enfatizando a necessidade primordial da reencarnação para a evolução do espírito, o amado Mestre Jesus, dialogando com o fariseu Nicodemos, ensinou: “Em verdade, em verdade, te digo: “Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo” (João 3:3). “Não te maravilhes de eu te dizer: é-vos necessário nascer de novo” (João 3:7):

      Segundo o Evangelho de Jesus, é obrigatório para todos os espíritos (é-vos) o renascimento na carne para conquistar o Reino de Deus, isto é, para encontrar dentro de si a divindade que lhes dá a vida e esse mergulho interior é obtido através das inúmeras oportunidades reencarnatórias (”O que é nascido da carne, é carne”). A impossibilidade de alçar grandes voos, na dimensão extrafísica, é bem explanada por Jesus, quando aborda a “Parábola do Filho Pródigo”, citando o filho mais velho como alguém paralisado, estacionado, na evolução, temeroso de ir adiante, o que não fez seu irmão mais novo, chegando ao ponto de “comer dos restos dos porcos”, isto é, passar pelas tenazes atribulações da vida somática, passando com proveito pelo sofrimento restaurador, tanto expiatório como provacional, e receber as honrarias da vitória conquistada (“O que é nascido do espírito, é espírito”).

      BOX 5: NECESSIDADE DA REENCARNAÇÃO PARA A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO

      Sem a reencarnação não há progresso moral e intelectual do ser espiritual, porquanto a dimensão física é o palco propício à retificação dos equívocos e para amealhar novos impulsos do presente.

      Através do mergulho na vibração mais baixa, o indivíduo é submetido a uma tenaz tirania biogenética, vivenciando múltiplas facetas na personalidade, com a presença de biótipos psicológicos de variados matizes e sofrendo a pressão do meio em que está inserido.

      Tudo isso proporcionará a oportunidade impar de se defrontar com a possibilidade de conquistar uma colheita primorosa de novas experiências.

      O homem é "um Espírito transeunte, reencarnado nesta Terra, peregrino imperfeito, em determinado grau educativo em romagem da perfectibilidade para perfeição que, pela educação conquistada ou a conquistar em reencarnações sucessivas e progressivas como ser pluriexistencial, atingirá o estado de Puro Espírito, isto é totalmente educado" (Ney Lobo, Filosofia Espírita da Educação, vol. 1).

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