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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2019

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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       Na edição de dezembro de 2018 do Jornal Correio Espírita, foi publicado o artigo intitulado Percepção dos Espíritos. Nesse texto, foi dito que a mente se mantém, invariavelmente, alinhada com a matéria e os sentidos físicos. Foi relatado, ainda, que a realidade vivenciada pelo espírito está relacionada com a sua interpretação pessoal daquilo que é percebido pelos sentidos [1].

       A questão do sofrimento dos espíritos pode ser tratada com abordagem semelhante.

       A matéria, por si mesma, não sente dor ou possui qualquer tipo de necessidade. Apesar de serem precisos cuidados para a manutenção da integridade de uma estrutura material, seja um corpo humano, um prédio ou um objeto, isso, contudo, não corresponde a uma necessidade intrínseca da matéria, mas a um interesse pessoal do espírito na estrutura.

       Nesse prisma, o sofrimento está atrelado à interpretação do espírito na sua relação com a matéria em decorrência de um fluxo de informação que transita entre espírito e corpo.

       No livro A Gênese, Kardec trata da questão com grande maestria, analisando sob a ótica espírita. Ao abordar os temas de catalepsia e de ressurreições, diz o seguinte: “A matéria inerte é insensível; o fluido perispirítico igualmente o é, mas transmite a sensação ao centro sensitivo, que é o espírito. As lesões dolorosas do corpo repercutem, pois, no espírito, qual choque elétrico, por intermédio do fluido perispiritual, que parece ter nos nervos os seus fios condutores"[2].

       Essa colocação de Kardec projeta alguma luz sobre o processo em si de comunicação corpo-espírito, o qual podemos correlacionar com o fio de cobre utilizado nos circuitos elétricos. O fio, por si mesmo, não é a eletricidade nem a possui, mas serve apenas como condutor. A passagem, ou fluxo, de elétrons no condutor é que dá surgimento ao efeito - eletricidade. Os nervos, funcionando como fios condutores, não são a informação, nem a possuem. A informação é transmitida através de um agente, o fluxo de fluido perispirítico.

       Tanto o fluido perispirítico quanto o corpo são insensíveis, por serem ambos de natureza material; todavia, o espírito se mantém informado sobre os fenômenos (alterações, processo etc.) que ocorrem no corpo, sendo que alguns destes fenômenos são interpretados como sofrimento. Isso em tratando-se do que é considerado como sofrimento físico.

       Continuando com a nossa correlação da comunicação corpo-espírito com a corrente elétrica, temos um elemento muito interessante utilizado no campo da eletrônica: o diodo.

       Esse componente tem a possibilidade de permitir que a corrente elétrica flua em um sentido, apenas, impedindo a corrente no sentido contrário. É uma espécie de chave automática, que possibilita o estabelecimento da corrente quando a polarização é direta, inibindo a corrente na polarização inversa.

       Similarmente, como no caso do diodo, Kardec, no mesmo item mencionado anteriormente, expõe a possibilidade de interrupção do fluxo de comunicação corpo-espírito, baseado no fluido perispirítico nos casos da amputação de um membro ou decorrente da ruptura de um nervo [2]. Nesses casos, é fácil de entender e muito lógico. Todavia, Kardec vai mais além na questão, na medida em que nos revela que pode haver uma interrupção “parcialmente ou de maneira geral e sem nenhuma lesão, nos momentos de emancipação, de grande sobreexcitação ou preocupação do espírito. Nesse estado, o espírito não pensa no corpo e, em sua febril atividade, atrai a si, por assim dizer, o fluido perispiritual que, retirando-se da superfície, produz aí uma insensibilidade momentânea”[2].

       Assim, verificamos que existem formas de impedir o fluxo de fluido perispirítico, que podem ser interpretadas como no exemplo da corrente elétrica. Não estamos, com isso, dizendo que ocorram da mesma forma, mas processos equivalentes. No caso do diodo, a interrupção é decorrente do sentido da polarização, enquanto que na comunicação corpo-espírito a interrupção é decorrente de processos mentais, mesmo inconscientes.

       Nos eventos em que esses processos mentais se estabelecem, na sequência da explanação de Kardec, "no próprio fluido perispiritual uma modificação molecular se opera, que lhe tira temporariamente a propriedade de transmissão. É por isso que, muitas vezes, no ardor do combate, um militar não percebe que está ferido e que uma pessoa, cuja atenção se acha concentrada num trabalho, não ouve o ruído que se lhe faz em torno. Efeito análogo, porém mais pronunciado, se verifica nalguns sonâmbulos, na letargia e na catalepsia"[2].

       Diante do exposto, podemos discutir sobre a forma como espíritos desencarnados experimentam o sofrimento. Recorrendo a O Livro dos Espíritos, temos que os espíritos conhecem o sofrimento devido às suas encarnações, mas não o experimentam como nós, isto é, decorrente das ocorrências no corpo [3], mas por registros mentais. Em outras palavras, vendo ou pensando em algo que causa dor, o espírito experienciará o sofrimento, tal qual como nós, encarnados, vemos algo aflitivo e experienciamos o sofrimento.

       A mente e seus processos ditam as experiências vivenciadas. Por isso, a adequação mental evitará o sofrimento das mais variadas matizes, seja para os encarnados ou desencarnados.

 

Notas bibliográficas:

1. Claudio C. Conti. Percepção dos Espíritos, Jornal Correio Espírita, dezembro de 2018.

2. Allan Kardec. A Gênese, Cap. XIV, item 29.

3. Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, questão 253.

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