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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2019

Sobre o autor

Cláudio Sinoti

Cláudio Sinoti

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Durante um largo período, especialmente no campo religioso, pensou-se que seria necessário "negar o mundo", para atingir a espiritualização. E foram muitos os que se retiraram do convívio social, adentrando-se pelos conventos, mosteiros e ordens religiosas em geral, no intuito de estarem mais próximos a Deus. Nada obstante alguns dos que assim procederam possam ter feito descobertas importantes a respeito de si mesmos, ou mesmo deixado ensinamentos valiosos, a “fuga” do mundo não deve ser vista como a solução para a transformação do ser. Pelo contrário, pois essa atitude, em muitos casos, demonstra a patologia daquele que não sabe conviver com o outro e consigo mesmo.

Não podemos perder de vista que, em sua constituição, o humano é por excelência um ser social, que, quando se afasta do inter-relacionamento, limita sua capacidade de desenvolvimento. É na relação com o outro e com o Mundo onde manifestamos quem somos, deixamos transparecer a nossa luz e a nossa sombra, forjando nesse embate a personalidade que precisamos desenvolver. Certamente, existem manifestações patológicas na expressão do Mundo, que nos compete cuidar, para transformar. Mas é nesse palco onde o ser espiritual se manifesta, transparece e por isso mesmo tem a possibilidade de se transformar.

Nesse sentido, melhor será pensar na equação que estabeleça “O Mundo e o Amor”, em vez de escolher um ou outro. Para isso, podemos nos questionar: como podemos transformar o Mundo em um lugar onde o Amor tenha primazia? Como o Amor se manifesta em mim, para que eu possa expressá-lo de forma saudável nos meus relacionamentos? Essas e outras questões servem para nos colocar como protagonistas da história da humanidade, e não somente vítimas de um “mundo cruel”, “um mundo injusto” etc. e tantas outras expressões pejorativas que utilizamos ao falar do Mundo, como se não fôssemos peças importantes em sua transformação.  E, se pensarmos bem, são inúmeras as possibilidades de expressão de Amor no Mundo, que se fazem presentes em cada encontro, em cada projeto que visa ao crescimento pessoal e coletivo, em cada ação onde o bem-estar é a mola propulsora, quando saímos do “pequeno eixo do ego”, e conseguimos enxergar o outro que está ao nosso alcance.

Quando Jesus estabeleceu “Meu Reino não é deste mundo”, não entendo que o Mestre tenha negado a importância da vivência consciente no mundo, pois toda Sua vida foi um exemplo de manifestação amorosa, em sintonia com os propósitos superiores que veio exemplificar, legando-nos o modelo perfeito de como se deve viver no Mundo. Através Dele, compreende-se que no Mundo poderemos deixar pegadas de Amor, que servirão como degraus na escalada rumo a patamares superiores da evolução.

Para que isso ocorra, é necessário que possamos ver a nós mesmos como potências de amor em construção. De início, as demonstrações do sentimento caminharão ao lado de fragilidades, inseguranças e apegos, tão naturais quando da imaturidade do ser. Com o exercício e as experiências, o amor vai amadurecendo, deixando de aguardar que o outro o “complete”, para tornar-se aquele que ama, até o momento em que esse amor seja pleno em si mesmo, quando se compreende que o amor que falta ou existe no Mundo é reflexo daquele que habita nosso mundo interno.

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