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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2019

Sobre o autor

Djalma Santos

Djalma Santos

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       Talvez uma das enfermidades mais comentadas e temidas dos últimos tempos seja a Depressão, devido ao impacto que causa nas pessoas e na sociedade, denunciando uma incapacidade de se lidar com esse problema, que é mais espiritual do que físico, levando famílias ao desespero, na busca de psiquiatras, psicólogos e, às vezes, até procurando métodos alternativos, nem sempre éticos ou de validade comprovada, como a gratuidade, o automatismo e o milagre.

       Em uma das lições memoráveis, registradas no livro Fonte Viva, ditado pelo Espírito Emmanuel, mentor do médium Francisco Cândido Xavier, há uma parte em que o instrutor espiritual fala da recuperação de doentes que se encontram atrelados a enfermidades de difícil cura e difícil diagnóstico, dizendo textualmente: “O comprimido ajuda, a injeção melhora, mas os verdadeiros males partem do coração”, numa alusão cabal e completa de que, por mais que possamos tratar fisicamente as enfermidades, usando medicamentos cada vez mais sofisticados e de alta tecnologia, se não mudarmos as diretrizes do nosso coração e o nosso comportamento diante da vida, todos os esforços serão inúteis.

       Outro detalhe interessante no processo de cura é a paciência, porque, se você não conseguiu atingir o objetivo que desejava, a impaciência fará mais larga a distância que separa você da meta a atingir. Seja qual for a dificuldade, conserve a calma trabalhando, porque, em todo problema, a serenidade é o teto da alma, pedindo serviço e solução. Os processos depressivos chegam às pessoas, quando elas se negam a realizar mudanças no comportamento, sentimentos e ideais, insistindo em permanecer no mau humor, no azedume, na inércia, no comodismo, na tristeza e na melancolia.

       A depressão alimenta-se também do orgulho, do egoísmo, do ciúme, da maledicência, da teimosia, da vaidade, do autoritarismo e, principalmente, da intemperança mental, que estabelece um desajuste íntimo, o qual, certamente, vai refletir no corpo físico, que, em última análise, é o encarregado de desaguar na roupagem carnal, os malefícios provocados pela depressão. Ao analisar essa enfermidade do espírito, especialistas do ramo afirmam que existe uma espécie de má vontade do espírito em aceitar os liames da vida, que muitas vezes são desfavoráveis, mas é necessário compreender que não podemos ganhar todas e que precisamos aceitar as derrotas, que são temporárias, e não revelam o ciclo completo da vida.

       Os obstáculos que encontramos pela frente são desafios normais da caminhada, que estão destinados a todos os seres humanos, não sendo, portanto, uma exclusividade nossa, daí a importância da prece, do silêncio, do recolhimento e do culto no lar, afim de rebater e controlar os resquícios do desânimo, da preguiça e da inércia. Quando o espírito se sente deprimido por qualquer motivo, automaticamente ele entra numa espécie de insatisfação crônica, construindo de imediato a incapacidade de suas forças vitais, e se vê enfraquecido diante da vida, roubando gradativamente seu estado de alegria, de paz e felicidade, que antes usufruía, mas que agora, diante da angústia, da tristeza e acabrunhamento, sem ânimo para fazer nada, sente-se pequeno e inútil junto aos outros e só mesmo uma vontade férrea, que terá de sair da própria alma, poderá libertá-lo dessa prisão mental.

       A atitude rebelde por parte dos depressivos é extensa, e pode ser catalogada desde a perda de entes queridos, passando por um desgosto qualquer, perda de um emprego, rompimento de um romance, uma discussão com um amigo, uma reprovação no vestibular ou prova final, uma doença terminal, perda de bens materiais e outras particularidades da vida, demonstrando o nosso despreparo para enfrentar problemas, sem o conhecimento de que tudo pode ser revertido e de nada é permanente o tempo todo.

A depressão provoca a perda do prazer, da alegria, satisfação, do bom humor, deixando as pessoas desmotivadas, cabisbaixas, temerosas, arredias e sem ânimo para lutar pela vida, porque se enclausuram num mundinho atrofiado e restrito, não permitindo o acesso dos outros, nem mesmo da parentela familiar.                

       Pessoas depressivas em desequilíbrio não sentem nem observam o que se passa ao lado, mesmo que os quadros que a envolvam sejam riquíssimos em exemplos de vida, porque se habituaram a ver apenas o lado ruim da vida, ou seja, os problemas que estão por toda parte, e não são exclusividade de ninguém. Nunca se detém diante de um jardim florido, de uma criança no colo da mãe, do sol que brilha no firmamento, da chuva que cai de forma leve, da lua que clareia a noite escura, dos trabalhadores no esforço diário, dos pássaros que gorjeiam, do mar com suas ondas gigantes, dos animais que entretecem nossas vidas, enfim, preferem continuar no pessimismo constante, que certamente vai desaguar num processo obsessivo.

       Existem alguns sinais que demonstram que estamos entrando num processo depressivo: a falta de amor pelo próximo, que é na realidade nossa matéria prima, com a qual temos que trabalhar para a nossa própria felicidade. Dificilmente seremos felizes, se não estivermos dispostos a fazer a felicidade dos outros. “Quando conseguires plantar, nos corações que te cercam, a alegria e a felicidade, a felicidade dos outros te buscará, aqui ou no além, afim implantar em definitivo, a tua suprema ventura.” A incapacidade de gerir os corrosivos de culpa do passado, as aflições que invadem nossa alma, o medo do futuro, a rejeição por parte das pessoas, as críticas que chegam até nós, a cultura da perfeição, e o hábito de cultivar pessimismo.

       Talvez a maioria das pessoas depressivas sejam devedora da retaguarda da vida, que aportaram aqui na Terra, pela graça e justiça da reencarnação, e chegam com as melhores intenções, mas na maioria das vezes falham, porque se esquecem dos compromissos com a reparação de faltas, e a depressão não tem a finalidade de punir o espírito, mas sim de alertá-lo quanto à responsabilidade diante da vida, de Deus e dos homens. A solução para enfrentar a depressão está na mente do próprio espírito, que, quando acionada para o trabalho, principalmente em benefício dos outros, produz um efeito terapêutico incrível, levando o enfermo depressivo a um salto de qualidade de vida, porque encontra alegria no que está fazendo, e sai rapidamente do estado mórbido da depressão.

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