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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2019

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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Considerando a estrutura da psique conforme apresentada por Carl G. Jung e conceitos da Doutrina Espírita, podemos dizer que, em algum ponto na caminhada evolutiva, ocorreu uma ruptura em nosso psiquismo e, neste evento, deveríamos ter buscado a reparação que, certamente, deve estar disponível para todos. Todavia, em nosso caso, uma vez que nos encontramos ligados à um mundo de expiações e provas, não tomamos a postura adequada diante do ocorrido, o que promoveu o aumento dessa ruptura.

Nesse desenrolar, surge o ego e, assim, perdemos a consciência da finalidade da criação e a substituímos pelas sensações da matéria, tomando a segunda pela primeira. Como consequência da postura egocentrista, surge o apego, depois, o orgulho e, por último, o egoísmo.

Nessa concepção limitada de si mesmo, de que tudo está relacionado com o seu corpo, o espírito aqui vivente crê que, quando dorme, ao “perder" os sentidos físicos, se encontra em completa inconsciência e, por isso, inativo.

Dessa forma, podemos entender as palavras de Léon Denis, quando diz que “o homem é para si mesmo um mistério vivo. De seu ser não se conhece nem utiliza senão a superfície. Há em sua personalidade profundezas ignoradas em que dormitam forças, conhecimentos, recordações acumuladas no curso das anteriores existências, um mundo completo de ideias, de faculdades, de energias, que o envoltório carnal oculta e apaga, mas que despertam e entram em ação no sono normal e no sono magnético”[1].

Encontramos, na Codificação Espírita, informação pertinente e clara para o entendimento do que seja o sono e, também, da sua necessidade para o espírito encarnado.

Partindo do conceito de que somos constituídos de três partes fundamentais: espírito, perispírito e corpo físico, Kardec, mostrando clareza profunda, faz um questionamento muito interessante: “O Espírito encarnado permanece de bom grado no seu envoltório corporal?” A resposta, todavia, é inesperada, pois; os espíritos responsáveis pela Codificação dizem que “é como se perguntasses se ao encarcerado agrada o cárcere…”[2].

Assim, precisamos perguntar que tipo de espírito se sente num cárcere, porque, em geral, não nos sentimos assim. Não nos sentirmos em um cárcere será bom ou não? Para respondermos a essa pergunta, é preciso diferenciar os níveis evolutivos.

Em O Livro dos Espíritos, encontramos a seguinte afirmação: "O sono liberta a alma parcialmente do corpo. Quando dorme, o homem se acha por algum tempo no estado em que fica permanentemente depois que morre. Tiveram sonos inteligentes os espíritos que, desencarnando, logo se desligam da matéria. Esses espíritos, quando dormem, vão para junto dos seres que lhes são superiores. Com esses viajam, conversam e se instruem... Ainda esta circunstância é de molde a vos ensinar que não deveis temer a morte, pois que todos os dias morreis... Isto, pelo que concerne aos espíritos elevados”[3].

Vemos, por esta colocação, que, para aqueles que se reconhecem como espíritos, o sono é uma oportunidade de se juntar aos mais evoluídos e aproveitar a oportunidade para o próprio aperfeiçoamento. Espíritos de um certo nível evolutivo anseiam pela oportunidade de trabalhos mais elevados. Para aqueles que desejam trabalhar pela própria evolução, a ligação com o corpo é um tipo de cárcere.

Na continuação do texto em O Livro dos Espíritos, temos que: "Pelo que respeita ao grande número de homens que, morrendo, têm que passar longas horas na perturbação, na incerteza de que tantos já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, ou a mundos inferiores à Terra, onde os chamam velhas afeições, ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui tanto se deleitam. Vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais funestas do que as que professam entre vós…”[3].

Estando ligados a um mundo na categoria de expiações e provas, como é o caso do planeta Terra, e em decorrência do que foi apresentado no início deste texto, a vida orgânica é tudo o que conhecemos e, por isso, não conseguimos vislumbrar a potencialidade que todos possuem enquanto espíritos, pois, afinal, somos Criações de Deus e, como consta no livro A Gênese, participamos dos atributos da Divindade [4]. Atendo-nos às questões materiais, permanecemos ligados às sensações de prazeres mais grosseiros.

Revisitando a pergunta sobre quem se sente num cárcere, fica claro que a resposta positiva ou negativa, para perceber-se como tal é decorrente do tipo de interesse com que o espírito se ocupa. Dessa forma, cabe-nos conduzir a mente para interesses cada vez mais elevados, a fim de que possamos utilizar as horas de sono de forma mais proveitosa à nossa caminhada na senda evolutiva.

Notas bibliográficas:

1. Léon Denis; No Invisível, pg 131.

2. Allan Kardec; O Livro dos Espíritos, Questão 400.

3. Ibidem; Questão 402.

4. ___; A Gênese, cap. III.

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