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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2014

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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Ultimamente tenho lido, assistido e ouvido coisas que qualifico de, no mínimo, mal colocadas ou mesmo absurdas, acerca dessa doença – ou síndrome, enfermidade, patologia, distúrbio, desconexão neurológica, ou qualquer outro título que se lhe queira dar.

Não estou aqui comentando dados estatísticos nem de suas funestas consequências, mas de outra realidade que não deveria existir.

Pessoas, e até instituições espíritas, associam o tema ao complemento “visão espírita da ...” e, em cima disso, expõem seus pontos de vista pessoais, suas idiossincrasias fechadas e transmitem condenações desumanas, tudo numa vestimenta de “santidade e pureza de sentimentos”, numa tentativa de suavizar a crueza de suas colocações.

Dizer que um depressivo só o é porque não acredita em Deus ou por se revoltar contra Ele; porque não se reformou interiormente; porque é revoltado contra tudo e contra todos; porque é cheio de orgulho, inveja, ciúmes, egoísmo, vaidades, enfim, dizer que o depressivo só está assim porque quer ou porque tem tudo e ainda é mal agradecido à Vida; e dizer tudo isso pensando que assim estará gerando campos de modificações e superações nas mentes dos depressivos, é dar provas de ignorância do mal e da agressividade contida nas palavras.

Dizer que a depressão é uma doença espiritual e querer curá-la à base de medicamentos ou de frases de efeito é outra equivocada trilha, onde o enfermo chegará a um destino desatinado e ainda mais perturbador.

Dizer que a depressão é o mal do século e nada fazer para ajudar a contê-la e vencê-la, chegando-se a afirmar que ela não tem cura ou que se não fizer Evangelho no Lar não a vencerá é assinar um auto de condenação sem tamanho; é ensinar que não existe um Deus como entidade misericordiosa e boa.

Dizer ainda que assistir reuniões, orar com fervor, receber passes “comuns” e ler boas obras é suficiente, além de desrespeitar o saber da Ciência, cria uma situação deveras difícil para o enfermo, o qual não encontra em si mesmo apoio para desempenhar, de forma produtiva, tais comportamentos.

Falar sobre depressão pede melhores reflexões sobre o que se vai expressar, pois não deveríamos correr o risco de piorar ou agravar ainda mais um quadro que já é difícil por sua própria estrutura: o mundo interior, o vazio existencial que está albergando o depressivo ou por ele sendo albergado.

Lamentavelmente, os quadros depressivos são mais comuns do que imaginamos e tem recebido menos atenção do que mereceria.

Entrando no âmago da questão, claro que sob a ótica que nos toca, enquanto espíritas, as Casas Espíritas, via de regra, estão muito acomodadas e não querem nem pensam em reviver as propostas reais de Allan Kardec no campo do Magnetismo. Assim ficamos num jogo de faz-de-conta e “deixamos aos Espíritos” tudo realizarem, esquecendo-nos de que somos nós mesmos os que devemos dar a partida, conforme facilmente se deduz do “faze por ti que o Céu te ajudará”.

Há poucos anos escrevi o livro A Cura da Depressão pelo Magnetismo, através do qual muita gente já foi beneficiada, muitos Grupos e Centros aproveitaram as técnicas ali expostas e criaram trabalhos extremamente valorosos e eficazes na terapia dessa verdadeira endemia psíquica, e quantos e quantos ainda serão socorridos e trazidos à vida por esse mecanismo cheio de lógica e bons resultados. – Ressalto que essa obra se destina, primordialmente, a quem vai e deve ajudar o depressivo a sair do estado em que se encontra e não necessariamente a quem esteja em depressão.

Todavia, quando algumas Casas tomam conhecimento do que ali se orienta e, por consequência, de tudo o que deve ser feito, do verdadeiro trabalho de amor e dedicação real que deve ser desenvolvido, surpreendentemente cruza-se os braços e se deixa que o "seja o que Deus quiser" resolva a problemática.

Para complicar um pouquinho mais, tem sido muito comum se saber de que tal Casa não faz o que deve ser feito pelo enfermo, nem quer deixar que ele vá a outra Casa; pior ainda: “ameaça” com um “nada de tentar pedir ajuda a pessoas que poderiam socorrer no próprio lar, nem buscar outras ‘correntes’ religiosas, filosóficas, terapêuticas”, enfim... Resumindo: parece que as regras são mais importantes do que o atendimento, o acolhimento, o paciente em si.

Ao contrário desse comportamento, tenho falado em minhas palestras que as pessoas que querem ajudar ou serem ajudadas, não esperem agravar ainda mais o estado depressivo nem se confiem a esperar resultados apenas oriundos da química ou de sugestões impossíveis de serem autoaplicadas. Sugiro, com toda clareza, que se não encontrar apoio na Casa que conhece ou frequenta, que busque pessoas que queiram entender, estudar, aprender e aplicar como deve ser, para que tudo se torne frutuoso e feliz. Afinal, o que não se deve permitir é se ficar esperando indefinidamente por soluções que não vêm, quase sempre se chegando ao pior e, depois desse pior, se seguir ouvindo acusações, mais uma vez, contra o depressivo, por este ter-se arrojado aos braços do suicídio ou da loucura. Taxam-no de “sem fé”, sem resignação, sem que ao menos se tenha pensado sobre “o que será, de verdade, o que sente quem está em depressão?”.

O que o depressivo precisa mesmo é de ajuda, de apoio, de benefícios reais e não de julgamentos, condenações, exposição ao ridículo dos incompreensíveis.

E mesmo sabendo que eles têm pouca força para tomadas de posição, digo, a plenos pulmões, que não cruzem os braços nem deixem que isso seja maior do que suas vidas. Cobrem de suas Casas que lhes empreguem o que precisam, que lhes deem o fundamental e que não compliquem ainda mais suas situações. Reajam exprimindo o que precisam, dizendo que querem apoio e não críticas.

Se assim agirem, nalgum momento começarão a atender as pessoas como deve ser, descobrirão que estão devendo uma justa atenção aos que se encontram em estados depressivos!

Essa luta deve ser um verdadeiro estandarte, uma plataforma, pois além de dar qualidade de vida a tanta gente que anda feito zumbis em nosso derredor, evita que se precipitem nos braços de uma morte indigna. Sigam firmes, sem medos, mas sempre atentos e focados nos melhores objetivos.

As tormentas ainda existirão, mas todos, enfermos e prepostos do Bem, devemos contribuir para que a Vida Real seja sempre a vencedora.

Troquemos nossa eloquente condenação aos depressivos e restituamos a eles a esperança que buscam, o sentido que está encoberto, mas que vive em suas almas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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