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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2014

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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Parece ser inerente ao ser humano dispender mais energia nas discussões do que nos esforços voltados às soluções. Em tese, isso não seria um grande problema se, ao final, as soluções adequadas fossem tomadas. Todavia, o que se estende num quase sem-fim são as discussões enquanto as soluções ficam ao ‘deus dará’. Complicando um pouco mais, se interpõem nessa disputa dois fatores que deveriam ser, definitivamente, afastados do cenário: o achismo e o melindre.

Pelo achismo muitos se sentem ‘a última palavra’, comportando-se como se pesquisadores, cientistas, filósofos ou técnicos de qualidade fossem. Nos melindres outro tanto se isola, quer se impor, agride-se desnecessariamente e lança à improdutividade qualquer esforço que deveria ser dirigido no sentido das soluções.

Este assunto é abrangente o suficiente para englobar quase todos os tipos de temas e conversações. Por isso mesmo dá-lhe espaço para novas e intermináveis discussões...

Nos meus mais de 45 anos trabalhando com magnetismo (passes), o que mais tenho acompanhado são discussões pouco eficientes nesse terreno. Infelizmente, a maioria se transforma em mera perda de tempo, em açodamento de personalidades feridas, teorizações sem respaldos e improdutividade quase total. São tantos os discursos e as discussões que, por vezes, se tem a impressão de que finalmente chegarem a um consenso. Só que...

Aqui estão algumas frases que sintetizam muito o teor dessas discussões – acrescidas de comentários para reflexões:

- Só os Espíritos podem/sabem manipular os fluidos – apesar dos Espíritos sérios dizerem o contrário;

- Sempre foi assim – esquecendo-se de acrescentar que tal modelo nunca atinge os reais propósitos;

- Ninguém pode curar ninguém – todavia se busca médicos e outros meios quando se tem necessidade;

- Não tem por que movimentar as mãos; isso é ritual – esquecendo-se de que o não movimentar as mãos é, dentro de idêntica análise, um ritual igualmente;

- O centro de força coronário se encarrega de distribuir tudo o que lhe for depositado nas imposições – mas os mesmos que ensinam isso dizem ser preciso conhecer os outros centros de força, anatomia, fisiologia, fluidos, tudo em frontal contradição ao simplismo nunca confirmado;

- Boa vontade e oração são suficientes para se aplicar o passe – isso, por si só, dispensaria estudos específicos. Apesar disso, os mesmos que dão tal orientação instituem cursos e treinamentos;

- O passe só pode ser aplicado na Casa Espírita – contudo, é reconhecido haver necessidade de equipes de assistência a pessoas impossibilitadas de se locomoverem, hospitalizadas etc.;

- Todos os passes são iguais – será mesmo? Tem certeza?

- O Magnetismo não tem nada a ver com Espiritismo – e ainda dizem seguir Allan Kardec...

- Mas o passe, para ser passe mesmo, deve ser espírita – que assim o diz esquece-se de que Deus não é elitista nem preconceituoso...

São muitas as frases e os motivos para as discussões:

Só um passista; uma corrente deles; passe incorporado; olhos abertos ou fechados; mãos para baixo ou para cima; cor ou ausência delas nas vestes; com água ou sem água; tampa ou destampa o vasilhame; individual ou coletivo; mediúnico, espiritual ou magnético; sem reforma íntima ninguém se cura – ainda bem que a Medicina cura sem exigir isso; e por aí segue a interminável lista das discussões...

O que deveria ser o foco primordial nisso tudo tem nome: o paciente (ou assistido, doente, enfermo, necessitado)... Esse deveria ser o ponto de partida, ou seja: o que ele precisa? O que devo dar? Como fazer para dar o melhor? Se estudo para ajudá-lo, por que os limites que me são impostos por “normas que não consideram o a quem se destina o passe”? Como aplicar o melhor passe e não apenas um passezinho? Se fosse eu o enfermo, o que eu gostaria de receber?...

Essa “discussão”, como se percebe, não tem relação com o ter ou deixar de ter razão, mas sim no focar o que é essencial: o paciente.

Ontem à tarde fui a um grande supermercado, num horário de menor movimento. Para minha surpresa, numa sessão das menos visitadas havia um bom número de funcionários ao redor de uma pessoa. Ao aproximar-me pude perceber se tratar de um outro funcionário, com vestimenta idêntica aos demais, mas portando-se como um líder, dizendo algo assim: - Não devemos atender bem por medo de perder o emprego nem porque queremos uma promoção; não interessa atender bem porque se está de bem com a vida, pois no dia que se estiver com problemas nossa transferência será péssima; não devemos ser bons porque alguém disse, mandou ou pediu; devemos atender bem porque é assim que gostaríamos de ser atendidos e isso é fundamental para a mente, a alma e a vida! Só assim perceberemos que o cerco em derredor será de sorrisos, de alegria e de satisfação. E ele concluiu: Tem algo melhor do que se estar satisfeito o tempo inteiro e ainda passar isso aos outros?

Ora, se num supermercado, em que o objetivo é o comercial, a satisfação do cliente é analisada dessa forma, como deveríamos agir, pensar e fazer em relação às pessoas que buscam nossas Casas para se fazerem melhores, para estarem melhores, para receberem as bênçãos que o Senhor nos delegou a alegria de poder realizar?

Menos discussão (achismos, melindres, desculpismos) e mais solução (ação produtiva e positiva) é uma das necessidades mais urgentes de nossas atividades: sejamos a Casa, o grupo, a equipe, a pessoa, o passista, o magnetizador, o médium... Isso nos levará a estudos, a experiências produtivas e a esforços sadios; e o mais nos será dado por acréscimo da Bondade Divina.

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