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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2014
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Jesus, perante a Doutrina Espírita, é o mais elevado ser espiritual reencarnado em nosso orbe, sendo guia e modelo de toda a humanidade. A questão de número 625 (seiscentos e vinte e cinco) d’O Livro dos Espíritos revela a seguinte pergunta feita por Kardec aos Espíritos superiores, responsáveis pela Codificação Espírita: "Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo”? A resposta, curta e objetiva, com esplendor, se fez presente: "JESUS".

As religiões dogmáticas pregam que é suficiente crermos em Jesus para sermos salvos. A posição do profitente espirita em relação a esse pensamento dogmático é mais abrangente, porquanto além de crer no excelso Mestre, esforça-se por praticar seus valiosos ensinamentos, sabendo que “Fora da caridade não há salvação”. A caridade legítima foi exemplificada pelo próprio Cristo, que fez do amor ao semelhante um impositivo maior para que o “Reino de Deus em nós” cada vez mais cresça e evolua, diante da eternidade.

No chamado “sermão profético”, Jesus alude aos eleitos como aqueles que o seguem na pessoa do próximo, não fazendo referência a nenhuma crença religiosa, nem mesmo ao seu sacrifício na cruz: “Vinde, benditos do meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; Estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me. Então perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber. E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar”?

Respondeu o Mestre: “Em verdade vos afirmo que sempre que fizestes a um destes pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25: 34 a 40). Portanto, Jesus exige a prática dos seus ensinos como prova segura da “salvação”, ou seja, do despertamento espiritual da criatura. Num momento tão trágico como a separação dos bons dos maus, a assertiva crística e, consequentemente, espírita, se faz presente: “FORA DO AMOR EM AÇÃO NÃO HÁ SALVAÇÃO”. Em apoio desse lema, muitas citações são igualmente encontradas na Bíblia, como em Prov. 10:12: “O amor cobre todas as transgressões”; Lucas 7:47: “Muito será perdoado a quem muito amou”; na 1ª Epístola de Pedro 4:8: “O amor cobre a multidão de pecados” e a “Parábola do Bom Samaritano”, citando um “herege” como alguém considerado eleito por praticar a caridade (Lucas 10: 25-37).

A salvação se verifica através do desprendimento e da caridade que é o amor em ação. Os bárbaros israelitas da época do Antigo Testamento acreditavam que o sacrifício de animais poderia retirar da consciência as infrações cometidas, embora o ensino superior, transmitido pelo profeta Oséias, capítulo 6, versículo 6, é bem claro: "Misericórdia quero, não sacrifício". As escrituras reafirmam, em Hebreus 10:4, que é impossível que o sangue dos touros e dos bodes propicie remissão dos pecados. À vista disso, o pensamento literal de que o Cristo se sacrificou na cruz para resgatar os erros da Humanidade não é verdadeiro. Ele reencarnou e desencarnou para cumprir uma grandiosa missão de redenção da Humanidade, ensinando e exemplificando as lições do amor (João 12:34). Ele disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário, terá a luz da vida” (João 8:12); “Sou o caminho da verdade e da vida” (João 14:6) Sua morte estava nas previsões divinas, sem qualquer caráter propiciatório, acontecendo por conta do atraso evolutivo dos seus contemporâneos sem a possibilidade de assimilar seus excelsos ensinamentos, distantes da perfeição moral a que todos os seres espirituais estão destinados.

Jesus reafirma que nasceu e veio ao mundo para testemunhar a verdade e que todos os que pertencem à verdade ouvem a sua voz (João 18:37). “Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio d'Ele, mas o mundo não o conheceu (João 1:10). Ele mesmo esclarece: "Quando for levantado da Terra, atrairei todos a mim” (João 12:32). É inconcebível pensar que um inocente, justo por excelência, possa responder pelos erros de outrem. O profeta Ezequiel 18:20 afirma que a responsabilidade é pessoal e o justo não paga pelo pecador. Paulo afirma em Romanos 2:6: “(Deus) dará a cada um segundo as suas obras”; “Importa que compareçamos perante o tribunal do Cristo, a fim de que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito enquanto no corpo” (II Cor. 5:10).

Kardec, no comentário da Q. 625 de “OLE” diz: “Quanto aos que, pretendendo instruir o homem na lei de Deus, o têm transviado, ensinando-lhes falsos princípios, isso aconteceu por haverem deixado que os dominassem sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regulam as condições da vida da alma, com as que regem a vida do corpo. Muitos hão apresentado como leis divinas simples leis humanas estatuídas para servir às paixões e dominar os homens”.

É importante frisar que o Mestre veio nos mostrar o caminho, mas de maneira nenhuma carrega a nossa própria cruz. Essa tem que ser levada por nós mesmos (enfermidades, paralisias, deformações físicas, disfunções sexuais, sofrimentos de todos os matizes etc.) O saudoso e estimado confrade Luiz Antônio Millecco Filho afirmou que “o Cristo veio para servir de exemplo, diante da angústia e do medo, ensinando-nos como superar o “Getsêmani” dentro de nós, como também revelar a fortaleza necessária, quando nos defrontamos com a dor e o sofrimento, vivenciando o “Gólgota” em nós”.

 

BOX 1: O Obsoleto Dogma da Deificação

 

Jesus veio, principalmente, como instrutor da humanidade e um dos seus maiores ensinamentos consistiu em revelar o Criador (“Meu Pai”) a todas as criaturas, porquanto a manifestação divina no Mestre foi completa, fazendo com que muitos exegetas acreditem na deificação de Jesus, considerando-o o próprio Deus encarnado, citando, primordialmente, a afirmativa do Cristo: “Eu e o Pai somos um” (João10: 30), como uma prova bíblica segura da divindade do Mestre dos Mestres.

O importante é não confundirmos a essência ou centelha divina, que nos dá a vida, que é criação do Pai, tendo saído Dele, com o próprio Criador. É claro que todos nós somos um com o Pai, porquanto Dele fomos criados. Para que não houvesse confusão em relação a isso, o Mestre afirmou: “Vós sois deuses” (João 10: 35). O Gênesis revela que fomos gerados à imagem e semelhança do Pai (Capítulo 1: 26). Aliás, na oração sacerdotal, o Cristo pede a Deus que permita que Ele (Jesus), seus discípulos e o Pai sejam um (João 17: 21). “Pretenderão as igrejas tradicionais que, em virtude dessa frase, o Mestre tenha querido acrescentar à Trindade mais doze pessoas?” (Luiz Antônio Millecco Filho).

A fim de tentarem abalizar o dogma da deificação na Bíblia, os exegetas afirmam igualmente que o seguinte texto evidencia a divindade de Jesus: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (João 8: 58). Devemos frisar que antes que a Terra fosse formada, o Mestre já existia como espírito puro, visto que ele foi o criador do nosso planeta, constituindo-se em dirigente supremo do orbe: “Glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (João 17: 5). Lembramos que João Batista disse: “O que vem depois de mim é maior do que eu, porque já existia antes de mim” (João 1: 15). Consequentemente, quando a personalidade Abraão apareceu, em nosso mundo, Jesus já era o Cristo (“Eu Sou”).

Os teólogos dogmáticos também argumentam a favor do dogma da divindade do Mestre, utilizando o seguinte pensamento do apóstolo João; “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (1: 14). Consideramos que o Verbo de Deus é a vontade ou a palavra do Pai que se fez carne, quer dizer, manifestado à humanidade, através de Jesus. Este foi o encarregado de transmitir aos homens o pensamento de Deus. O Cristo veio ao mundo físico revelar a todas as criaturas o Pai amado, Criador de todas as coisas: “Quem crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou” (João 12: 44); “Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que anunciar” (João 12: 49); “... As cousas, pois que eu falo, como o Pai me tem dito, assim falo” (João 12: 50); “Tudo por meu Pai me foi entregue” (Lucas 10:22); “E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem...” (Lucas 23: 34); “E, clamando o Mestre com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos, entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou” (Lucas 23: 46).

Constatamos, com facilidade, pela leitura atenta e descompromissada dos textos do “Novo Testamento” que, na realidade, Jesus não é o próprio Deus. Ele mesmo o afirma, dizendo a Maria Madalena: “Não me toques porque ainda não subi a meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos, e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus” (João 20: 17). Ao ser abordado por um mancebo mito rico que lhe chamou de “Bom Mestre”, o Cristo lhe repreendeu: “Por que me chamas bom? NINGUÉM HÁ BOM SENÃO UM SÓ, QUE É DEUS”... (Marcos 10; 17-18).

Outra passagem bíblica, digna de registro contra o dogma da deificação do Mestre está no Evangelho de Mateus: “Quando será o dia ninguém sabe, nem mesmo os anjos que estão nos céus, nem mesmo o Filho, mas tão somente o Pai” (24: 35-36). Nesta afirmação de Jesus a respeito do dia da sua volta ao planeta, está contido o protesto antecipado do Mestre a respeito do papel que os homens lhe incumbiram de ser o próprio Deus.

Allan Kardec afirmou que “Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão da sua lei, porque ele estava animado do Espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra” (Comentário da resposta da questão 625 de “OLE”). Em Obras Póstumas, no capítulo sobre a Natureza do Cristo, diz o excelso codificador que Jesus era um messias divino pelo duplo motivo de que de Deus é que tinha a sua missão e de que suas perfeições o punham em relação direta com o Pai. Kardec ressalta, igualmente, que o próprio Mestre deu a si mesmo, com persistência notável, a qualificação de “Filho do Homem”, expressão que significa o que nasceu do homem, em oposição ao que está fora da Humanidade.

No momento em que as Escrituras forem lidas, utilizando-se a razão, todos os conceitos dogmáticos deixarão de existir. Jesus disse: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará” (João 8:32).

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