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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2018
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Mais uma vez, a humanidade, no mês de dezembro, comemorou o nascimento de Jesus, com a atenção, infelizmente, voltada para a figura simbólica do velhinho Noel e para o encontro dos familiares em torno de uma mesa dita farta, com produtos calóricos importados, ladeando o peru ou pernil assado, juntamente com a presença marcante das bebidas alcoólicas e dos doces, ignorando o verdadeiro homenageado, o sublime aniversariante, o excelso e meigo Mestre.

Desde o século IV, a data de 25 de dezembro foi adotada pela Igreja para marcar simbolicamente o dia em que o Cristo encarnou entre nós. Acredita-se que essa data foi escolhida com o fim de esvaziar a festa pagã do Sol Invicto, em que era comemorado o solstício de inverno (dia mais curto do ano), no Hemisfério Norte, com muita comilança e ingestão de bebidas fermentadas.

Para nós, espíritas, não importa a data em que Jesus veio encarnar na Terra. O que nos sensibiliza e nos deixa jubilosos é a sua presença marcante, sacudindo nosso interior, fazendo, com suas palavras e ações, uma verdadeira revolução em nossos espíritos. Verdadeiramente, o Cristo é o nosso Mestre, representando “o caminho da verdade e da vida” (1).

 

Jesus na visão Espírita

Os instrutores extrafísicos da Humanidade ressaltam que “Jesus é o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo”. Allan Kardec enfatiza que “para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava” (2).

Na escala espírita, na 1.ª ordem, estão situados os espíritos puros e a codificação kardeciana atesta que o Mestre é um deles, como explicitamente está explanado: “Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível” (3). Segundo o que ensina a Doutrina Espírita, “os puros Espíritos são os Messias ou mensageiros de Deus pela transmissão e execução das suas vontades. Preenchem as grandes missões, presidem a formação dos mundos e a harmonia geral do Universo, tarefa gloriosa a que se não chega senão pela perfeição” (4).

Complementando a instrução, afirmaram os Espíritos: “Realiza-se assim a grande lei de unidade da Criação; Deus nunca esteve inativo e sempre teve puros Espíritos, experimentados e esclarecidos, para transmissão de suas ordens e direção do Universo, desde o governo dos mundos até os mais ínfimos detalhes” (5). Na Segunda Revelação Divina à Humanidade, precisamente no Evangelho de João, é dito que o Mestre “estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio d'Ele, mas o mundo não o conheceu” (6). Com certeza, como espírito puro, recebeu de Deus a incumbência de formar e governar a Terra, nosso mundo de provas e expiações e, assim, não se negou a descer entre nós, conforme está declarado em “O Livro dos Espíritos” (7), encarnando e fazendo despontar o Primeiro Natal, vivenciado pelos mensageiros espirituais, juntamente com os humildes e desprezados pastores que vigiavam seu rebanho: “Um dia, Deus, em sua inesgotável caridade, permitiu que o homem visse a verdade varar as trevas. Esse dia foi o do advento do Cristo” (8). Importante a seguinte afirmação do Além: “Fica sabendo que o mundo onde te achas não existe de toda a eternidade e que, muito tempo antes que ele existisse, já havia Espíritos que tinham atingido o grau supremo” (9).

Realmente, baseados nos textos já citados, nos sentimos extasiados e reconfortados, porquanto a Terra, segundo a ciência, teve a sua gênese há 4,6 bilhões de anos. Logo, podemos afirmar que o nosso Mestre Jesus já se situava, então, graduado, na ordem dos espíritos puros, confirmando o que revela o Evangelho de João: “E agora, Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse” (10) e “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (11). “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário, terá a luz da vida” (12). O Cristo, durante sua gloriosa passagem, em nosso planeta, disse que muitas coisas, ainda, tinha de ensinar, mas a Humanidade, de então, não seria capaz de suportar (13). Prometeu, então, enviar o Consolador, em seu nome, que ensinaria todas as coisas e faria lembrar tudo o que já tinha dito (14). Em 1857, na França, o Consolador Prometido surge na excelsa Doutrina Espírita, sob a direção do próprio Cristo, que anunciou retornar ao convívio humano, ressaltando igualmente que não nos deixaria órfãos (15).

Um espírito superior, comunicando-se com Kardec, afirmou-lhe que poderia ter sempre confiança em Jesus, que estava sempre presente ao seu lado, amparando o missionário lionês, em sua sublime missão de codificador da Doutrina do Consolador: “Conta conosco e conta sobretudo com a grande alma do Mestre de todos nós, que te protege de modo muito particular” (16). Portanto, Allan Kardec foi escolhido pelo Cristo para ser o artífice humano da grandiosa obra de esclarecimento às consciências, através da participação do Consolador entre nós.

 

Jesus se revestiu de um corpo material humano

A concepção e o nascimento do Mestre, por exemplo, foram esclarecidos pelo Consolador Prometido, relatando que tudo ocorreu naturalmente, sem ferir as leis biológicas do planeta, sem contrariar a fisiologia natural da fecundação, maternidade e parto. O Espiritismo não aceita a intromissão da mitologia no cristianismo de Jesus, sabendo que, no cristianismo dos homens, a mitificação da Virgem Mãe é herança da mitologia, versando a respeito da concepção de avatares, como Hórus, Egito Antigo, em 3000 a.C., nascido de uma “virgem”; a deusa Ísis-Meri com Osíris; Attis (Frígia – Roma), em 1200 a.C; Mitra (persa – romano), em 1200 a.C; Krishna (hindu – Índia), em 900 a.C; Dionísio (Grego), em 500 a.C e muitos outros.

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, no cap. I, alerta que “Jesus não veio destruir a lei, quer dizer, a lei de Deus; ele veio cumpri-la, quer dizer, desenvolvê-la, dar-lhe seu verdadeiro sentido, e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens; por isso, se encontra nessa lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que constituem a base de sua doutrina” (17). O próprio Mestre assim se pronunciou: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para dar-lhes cumprimento” (18).

Em A Gênese, reafirma Kardec: “De todas faculdades que Jesus revelou, nenhuma se pode apontar estranha às condições da humanidade e que se não encontre comumente nos homens, porque estão todas na ordem da Natureza” (19). O codificador, igualmente, afirma que “a estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte. No primeiro, desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias da vida. Desde o seu nascimento até a sua morte, tudo, em seus atos, na sua linguagem e nas diversas circunstâncias da sua vida, revela os caracteres inequívocos da corporeidade” (20). A Doutrina Espírita, negando veementemente a tese de que o Cristo não tinha um corpo físico como o de todos os habitantes da Terra, ensina que “Jesus, pois, teve, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é atestado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que lhe assinalaram a existência” (21). O grande filósofo do Espiritismo, Léon Denis, vem reafirmar o pensamento doutrinário, ensinando: “Quanto às teorias que de Jesus fazem uma das três pessoas da Trindade, ou um ser puramente fluídico, uma e outra parecem igualmente pouco fundadas. Pronunciando estas palavras: ‘De mim se afaste esse cálice’, Jesus revelou-se homem, sujeito ao temor e aos desfalecimentos. Como nós, sofreu, chorou, e esta fraqueza inteiramente humana, aproximando-nos dele, o faz ainda mais nosso irmão, tornando seus exemplos e suas virtudes mais admiráveis ainda” (22).

  O sublime nascimento de Jesus representa para todos nós o momento supremo do mergulho na carne de um espírito puro por excelência, que veio até nós revelar a verdade da transcendência, tirando-nos do período de infância espiritual e nos ensinando a amar. Não há mais terreno para o misticismo barato, para as especulações vetustas. O momento exige que haja união do raciocínio à fé, a ciência à religião, a qual será vivenciada totalmente desprovida de dogmas, de liturgias e da profissão da fé cega. Afinal, ele clamou que voltaria e já está conosco, não nos deixando órfãos (23).

Jesus disse: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará” (24).           

                                               

Bibliografia

  1. Evangelho de João, cap. XIV, versículo 6;
  2. O Livro dos Espíritos, questão 625;
  3. A Gênese, capítulo XV, item 2;
  4. O Céu e o Inferno, cap. III, item 12;
  5. O Céu e o Inferno, 1ª Parte, cap. VIII, item 15;
  6. Idem, capítulo I, versículo 10;
  7. O Livro dos Espíritos, questão 233;
  8. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item 10;
  9. O Livro dos Espíritos, questão 130;
  10. Evangelho de João, cap. XVII, versículo 5;
  11. Idem, capítulo VIII, versículo 58;
  12. Idem, capítulo VIII, versículo 12;
  13. Idem, capítulo XVI, versículo 12;
  14. Idem, capítulo XIV, versículo 26;
  15. Idem, capítulo XIV, versículo18;
  16. Obras Póstumas, pág. 308, FEB;
  17. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I;
  18. O Evangelho de Mateus, cap. V, versículos 17-18;
  19. A Gênese, cap. XV, versículo 44;
  20. Idem, cap. XV, versículo 65;
  21. Idem, cap. XV, versículo 66;
  22. Depois da Morte, pág.75, FEB;
  23. Evangelho de João, capítulo XIV, versículo 18;
  24. Idem, cap. VIII, versículo 32.      
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