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Artigo do Jornal: Jornal Marco 2019
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A deficiência visual gera imensos questionamentos tanto para quem com ela convive diretamente quanto para o público leigo em geral, pois há nela uma série de detalhamentos e características a serem consideradas. Se no perispírito, vê-se em toda sua extensão, assim não o é no corpo físico, no qual a visão está reduzida ao sistema óptico e necessita dos cuidados do olho e das suas estruturas músculo-nervosas. As causas são as mais variadas, sejam fisiológicas como espirituais, articulando-se no entanto.

Primeiramente, esta é uma expressão genérica que envolve a cegueira e a baixa visão. Portanto, dizer que uma pessoa apresenta deficiência visual não especifica por si só se ela é cega, apresentando de zero até nove por cento de visão, ou se tem uma baixa na acuidade visual entre dez e trinta por cento no melhor olho, após correção. Consequentemente, percebe-se que o fato de alguém usar óculos, quando estiver fora deste perfil, não o caracteriza como deficiente visual e também relaciona que mesmo na população de uma ou de outra modalidade existem variações bastante relevantes, alterando substancialmente a postura física, psicológica e social em diversas ocasiões de acordo e em sobreposição com a personalidade, estimulação, duração, vivências...

A distinção faz-se essencial, pois habilidades, exigências, expectativas e intercâmbios acontecem muitas vezes por vias alternativas, ou simplesmente não ocorrem, e a pessoa pode sofrer algum tipo de cobrança, inadequação relacional e até desconfiança sem razão de ser, advindas dela mesma ou do seu próximo desinformado.

Situações existem em que recursos ergonômicos e pedagógicos podem ser exatamente idênticos em ambas as condições de cegueira ou de baixa visão, assim como serem totalmente alterados. A bengala, por exemplo, será sempre utilizada na situação da cegueira, enquanto ela pode ou não ser adotada na baixa visão. O mesmo acontece em relação ao Sistema Braille, embora em ambas as situações já existam recursos tecnológicos que o podem complementar, substituir e agilizar na oferta de informações pela informática, celular e outros materiais assistivos.

Para além da visão, são identificados alguns para efeitos (perdas, limitações, descontinuidades), com maior ou menor intensidade, bem importantes para serem reflexionadas por todos, quais sejam: redução na privacidade, incompletude no aproveitamento dos sentidos remanescentes, obscuridade, fluidez na mobilidade e assim por diante. Contudo, como todas as adversidades, a deficiência visual, em seus diferentes graus, oferece possibilidades do desenvolvimento da paciência, humildade, tolerância, criatividade, empatia.

O fundamental é saber exatamente o quanto a pessoa vê ou não vê e buscar conhecimentos e modos de como transitar nesta coaprendizagem. Ademais, é necessário para aqueles que convivem com pessoas cegas ou com baixa visão o desenvolvimento do hábito da conversação saudável e honesta e o não uso da cegueira para adoção de comportamentos interesseiros, sem a utilização de mímicas ou sinais para a passagem de mensagens e informações sem o conhecimento de quem não pode enxergar porque, na sua descoberta, uma relação de desconfiança pode se instalar e talvez se faça necessário longo período reeducativo para nova conexão fraterna.

Importante igualmente será a atitude de análise e investigação das reais (im)possibilidades de quem é total ou parcialmente cego ou que apresente baixa visão tubular ou periférica, principalmente nas diferentes faixas etárias e de gênero para um convívio produtivo.

De qualquer maneira, torna-se imprescindível buscar na mensagem de Jesus e do Espiritismo elucidações acerca deste momento de melhoramento intelecto-moral, a fim de que o acolhimento, a consolação e o esclarecimento aconteçam da melhor forma possível e que um aproveitamento das capacidades como trabalhador no exercício e difusão da Doutrina se viabilize, seja como médium, palestrante, dirigente ou qualquer outra atividade que possa desenvolver no Centro e no Movimento Espírita conforme suas habilidades e necessidades evolutivas.

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