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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2019

Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

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       Esta semana, ao final da aula do Curso de Introdução ao Espiritismo ao qual faço parte, uma das alunas veio até mim para conversar. Semblante baixo e fatigado, trazia na face as marcas da luta contra as misérias humanas. Não me refiro a miséria financeira, porém moral. O olhar, espelho da alma, ao contrário despejava energia, realçava em esperança, transbordava de amor. O relato me trazia a dor de uma mãe, fatigada da luta contra as drogas. Não era uma luta própria, porém era interior. A luta já era longa, viera me pedir uma orientação, pois a peleja já passara as raias do desespero.

Certamente, muitos jovens prestes a adentrar no buraco das drogas se colocariam a pensar no ato se escutassem o relato desta mãe. Se já não bastassem os nove meses de gestação, as dores do parto, as noites em claro, a doação do alimento que parte de si, as lições, preocupações, responsabilidades etc., ainda era necessária a luta contra o vício. Naquela mulher havia um pouco de Maria. A dor de ver um filho matar-se aos poucos deve ser bem parecida ou pior que a de ver o filho sendo supliciado.

       Vale lembrar um pouco do mecanismo das drogas. Naturalmente, como nos atesta o LE na questão 911, não há paixões irresistíveis. Portanto, junto do consumir da droga ainda existe o prazer da fantasia delituosa. Isso vale para todos os tipos, inclusive os vícios morais. Ou seja, cada viciado, por mais que se renegue sem sucesso ao vício, se debata em forças para não consumi-lo, quando o faz, é por que o espírito, a essência inteligente a reger o corpo, ainda se compraz, se “deleita” ao contato com o vício. Infeliz realidade a de colocar no entorpecente minutos de alívio de dor, quando o Cristo oferece o caminho para a felicidade eterna, naturalmente, pela porta estreita.

       Interessante notar que assim como nenhum crime se comete sozinho, digo, considerando as influências espirituais, da mesma forma, os drogados se fazem acompanhar dos respectivos companheiros de vício, aqueles que do plano do espírito se “beneficiam” dos fluidos da matéria nociva, do bojo fluídico ingerido pelo viciado. Cegos guiando cegos – Mateus 15:14.

Naturalmente, quando algo nos compraz fortemente, a ponto de nos ser o norte da alma, nós o abraçamos como tesouros, são a razão do viver, a única causa e sentido da vida. Assim é a droga para o viciado, bem como para os seus comparsas espirituais. Eis o porquê das lutas inglórias dessa e de diversas outras mães, eram vários, na própria residência a atormentar-lhe a existência por conta daquele que lhes provê o “sustento vicioso” através do corpo material, em detrimento do sofrimento agudo da genitora. Portanto, não é complicado entendermos o quanto é difícil a libertação dos vícios.

Quando um viciado insiste em sair do vício, o assédio aumenta, as ligações mentais se estreitam e o viciado, então em recuperação, recai. As forças se esvaem, o moral abaixa, a auto-estima degrada. A sensação de que tudo está perdido. Com esta casta de espíritos, somente com jejum e oração – Marcos 9:29.

       Jejum no sentido de purificação, reforma íntima, reeducação de sentimentos, o querer libertar-se maior que as reminiscências do vício. A oração é a defesa do espírito, o evangelho no lar, o tratamento do corpo e do espírito. O auxílio de médicos, dos verdadeiros amigos espirituais e, obviamente, da mãe!

       Devemos, contudo, orar por aqueles que lhe trazem dificuldades. São necessitados como todos nós. Não devemos expulsá-los, odiá-los, devolver-lhes os sentimentos, isso apenas os fortalece. Devemos, por mais difícil que seja, amar-lhes os irmãos viciosos a nos atormentar nos respectivos vícios, perdoar-lhes os maus atos e atentar ao mais importante: A recuperação interior.

Uma oração sincera não apenas atrai os bons espíritos, porém, toca aqueles encobertos pela incúria.

Com essa casta de espíritos, é necessária muita oração.

Aquela mãe daria tudo, inclusive a própria vida, pela vitória do filho. Nessas mães, existe um pouco de Maria.

       Segundo informações da respeitável médium Yvone Pereira do Amaral, Maria hoje governa um hospital de enorme dimensão no plano espiritual voltado aos drogados e suicidas. Portanto, a labuta materna, tamanha devoção e dedicação certamente não serão ignoradas pelos céus, no momento azado, a ação divina se dará.

       As vésperas do dia das mães, procuremos entender as mazelas dessas que sofrem amando e amam sofrendo. O coração em pedaços, porém, sem arrependimentos. Valorizemos esta classe de espíritos que trazem a marca de Maria. Chegada é a hora de mais intensamente dedicar-lhes os abraços e os beijos. São nossos anjos desde o nascimento.

       Para aquelas solitárias, aparentemente esquecidas, não temamos, o sentimento de amor experimentado é maior que a ingratidão e o abandono. Um dia, tais filhos entenderão os erros e se voltarão em arrependimento. Para aquelas sofridas pelos apelos das drogas no lar, acreditem naquela que soube ver o filho diante dos sofrimentos mais acerbos que a humanidade já presenciou. Acreditemos nessa que é a mãe das mães, a ponto de abraçar a humanidade por filhos. A estas mães, nos momentos de sofrimentos insuportáveis, roguem por Maria e dirijam suas preces à Maria; afinal, essa é uma conversa de mãe para mãe!

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