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O Chefe dos Publicanos

Meu nome é Zaqueu e sou chefe dos publicanos. Pra ser franco, sou um rico arrendatário de impostos. Vivo em Jericó onde a minha prosperidade tem despertado a inveja de muitos. Eu, porém, não me considero uma pessoa má, não sou perfeito em coisa alguma, porém, não sou um canalha, um traidor de meu povo como dizem muitas pessoas. O Senhor que conhece a nós todos no fundo de nossa alma sabe que estou dizendo a verdade. Sei que os fariseus me tratam como se eu fosse um colaboracionista dos romanos, os fariseus invejam a minha fortuna pessoal e se juntam aos fariseus na sua agressividade contra mim.  De certo modo, sou tratado como um habitante do vales dos impuros e isso a cada vez tem sido uma carga difícil de ser carregada por mim. A gente, com o tempo, se cansa de ser humilhado, de viver sob o risinho de mofa dos passantes e agüentar a ironia dos judeus puritanos.

Foi no mês de Nissan que, pela primeira vez, tive a notícia de um certo Rabi que vinha pregando o arrependimento e a salvação. Quem me falou foi um empregado meu chamado Joab. Eu fiquei interessado e lhe perguntei: 

- Juba, o sujeito de quem você me fala, não é um que batiza as pessoas no Jordão e que chama a si mesmo de A Voz que clama no deserto? Alguns fariseus afirmam que ele é louco e outros dizem que é um grande profeta. Acho que se chama João.

- Não, senhor, é outro.

- Outro. E se chama Jesus e é Galileu.

- Galileu! Você acha que algum Galileu pode ser mestre em Israel?

- Se poderia ou não, eu não sei. O que eu sei é que ele faz muitas coisas que tem causado admiração a todos que as viram. Para provar o que eu digo, basta ver a grande multidão que o acompanha.

- E o que ele prega?

- Muitas coisas, mas a principal destas é a vinda do Reino dos Céus.

- É interessante.

- Ele diz uma coisa mais interessante ainda.

- O quê?

- Ele diz que o Reino dos Céus não pertence aos soberbos e arrogantes, mas aos pobrezinhos, aos pecadores e até mesmo os ladrões e as prostitutas.

Aquelas palavras calaram fundo dentro de mim. Aquela pregação me interessava porque os fariseus e saduceus estavam me fazendo sentir como excluído da graça divina, e, agora, vinha aquele Rabi dizer que os pecadores como eu, teriam a sua parte no Reino de Deus. Que coisa maravilhosa! Desde aquele dia passei a me interessar por aquele homem. A todas as pessoas que vinham de Cafarnaum e que tivessem ouvido uma pregação dele, eu pedia que me contasse o que ele havia dito. Eles me contavam e eu ficava enlevado com aquelas palavras que, como um bálsamo, diminuíam as dores  das minhas feridas interiores. Então eu, Zaqueu, o chefe dos publicanos, um homem de má fome, humilhado por todos, tinha a possibilidade de entrar no reino. Aquela era a mensagem mais bela que jamais havia ouvido.Certa manhã, Joab me procurou e com um sorriso de orelha a orelha, me falou :

- Senhor, ele vem aqui em nossa cidade.

- Ele quem, Joab?

- Jesus, o Nazareno.

- Ele vem aqui?

- Sim. Parece que chega amanhã pela manhã.

Fiquei literalmente enlouquecido. Finalmente, eu iria vê-lo e, talvez falasse com ele. Quem sabe ele me daria a honra de almoçar em minha casa? Não, eu não merecia esta honra. Por que ele almoçaria com um miserável como eu? Era bastante vê-lo. Assim, no dia seguinte, corri para a praça e o lugar estava apinhado de gente. Eu, sendo muito baixinho não podia vê-lo por mais que eu tentasse. Vi então uma árvore frondosa e eu estava com tanta vontade de ver o Nazareno que, deixando de lado a situação ridícula, subi na árvore. Aí ele me viu e, quando ele me viu, para meu espanto e felicidade, ele me falou: "Zaqueu, desce daí. Hoje vou almoçar em tua casa." Foi esse o dia mais, importante de minha vida, o dia em que ele, com essas palavras, abriram para mim as portas do Reino de Deus e eu lhe sou eternamente grato.

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