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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2019
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       O Espiritismo, no Brasil, apresenta muitos casos e causos narrados por diversos escritores, que fazem por merecer a nossa atenção. Essas narrativas servem, no entanto, para registrar fatos ocorridos ou aumentados pelos seus contadores ao longo do tempo.

       Sabemos que, “quem conta um conto, aumenta um ponto”. Assim, são registradas as histórias pela memória popular, a ponto de mostrar passagens interessantes e absurdas.

O livro do professor Ramiro Gama,  ¨Lindos Casos de Chico Xavier,¨ apresenta passagens interessantes sobre o médium mineiro, desde infância difícil até a vida adulta e cheia de situações inusitadas.

       Nele, a gente se diverte, aprendendo e conhecendo um mundo diferente, cheio de ensinamentos úteis à nossa reflexão.

Outro livro bastante interessante é ¨O Gigante Deitado,¨ de Jane Martins Vilela, que conta a vida e a obra de Jerônimo Mendonça, o qual tinha um humor bastante refinado.

Muitos palestrantes têm por estilo utilizar os contos em suas explanações doutrinárias, visando sempre ampliar os seus estudos e valorizar a comunicação diante do público.

Divaldo Franco, médium baiano, é um exímio contador de histórias. Ele, por ser um excelente comunicador, aproveita os casos e causos em suas palestras, com muita propriedade, utilizando as técnicas de narração, a ponto de levar o público ao riso com uma facilidade enorme, sem diminuir o ritmo da conversa.

Certa vez, em viagem com a caravana do GEFFA, com o querido Nilton Leal, estávamos na companhia Spirito Teatral no ônibus, que apresentaria a peça Nosso Lar no Hotel Primus, em São Lourenço, MG.

Enquanto o ônibus subia a Serra da Mantiqueira, os atores da peça e alguns outros companheiros de ideal, lembravam, entusiasmados, as histórias pitorescas da vida desses notáveis médiuns do passado.

A viagem se tornou deliciosa, pois todos queriam contar um caso ou causo que sabiam. A gargalhada solta dava o tom perfeito de harmonia do ambiente, além de provocar uma sensação maravilhosa durante a viagem.

O interessante é que não se tratava de comédia solta, mais de humor vivo dos seus protagonistas.

A medida certa do humor não está no deboche ou na maledicência, conforme estamos acostumados a ver no cotidiano. O humor é o resultado da situação engraçada e inesperada, como veremos a seguir nessa passagem com o Chico Xavier, na visão de Ramiro Gama.:

 

A SURRA DE BÍBLIA

 

Lutando no tratamento das irmãs obsidiadas, José e Chico Xavier gastaram alguns meses até que surgisse a cura completa. No princípio, porém, da tarefa assistencial, houve uma noite em que José foi obrigado a viajar em serviço da sua profissão de seleiro. Mudara-se para Pedro Leopoldo um homem bom e rústico, de nome Manuel, que o povo dizia muito experimentado em doutrinar espíritos das trevas. O irmão do Chico não hesitou e resolveu visitá-lo, pedindo cooperação. Necessitava ausentar-se, mas o socorro às doentes não deveria ser interrompido.

“Seu” Manuel aceitou o convite e, na hora aprazada, compareceu ao “Centro Espírita Luiz

Gonzaga”, com uma Bíblia antiga sob o braço direito.

A sessão começou eficiente e pacífica. Como de outras vezes, depois das preces e instruções de abertura, o Chico seria o médium para a doutrinação dos obsessores. Um dos espíritos amigos incorporou-se, por intermédio dele, fornecendo a precisa orientação e disse ao “seu” Manuel entre outras coisas:

— Meu amigo, quando o perseguidor infeliz apossar-se do médium, aplique o Evangelho com veemência.

— Pois, não, — respondeu o diretor muito calmo, —, a vossa ordem será obedecida.

E quando a primeira das entidades perturbadas assenhoreou o aparelho mediúnico, exigindo assistência evangelizante, “seu” Manuel tomou a Bíblia de grande formato e bateu, com ela, muitas vezes, sobre o crânio do Chico, exclamando, irritadiço:

— Tome Evangelho! Tome Evangelho!...

O obsessor, sob a influência de benfeitores espirituais da casa, afastou-se, de imediato, e a sessão foi encerrada. Mas o Chico sofreu intensa torção no pescoço e esteve seis dias de cama para curar o torcicolo doloroso. E, ainda hoje, ele afirma, satisfeito, que será talvez das poucas pessoas do mundo que terão tomado “uma surra de Bíblia”...

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