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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2019
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Numa viagem de 20 horas de trem o destino era poder se encontrar com o médium Chico Xavier e conhecer de perto o tarefeiro de Minas Gerais, que começa a trajetória mediúnica, a partir do livro ¨Parnaso de Além-Túmulo¨, uma obra magnífica revelada pelos poetas redivivos.

Ramiro Gama foi professor, poeta, jornalista e escritor. Admirava os amigos e procurava sempre fazer contatos importantes, visando o conhecimento e a divulgação do Espiritismo.

Sempre atento aos acontecimentos espíritas, resolveu então contar a trajetória do maior médium brasileiro, através do seu livro Os Lindos Casos de Chico Xavier. Um trabalho importante que exigiu muita pesquisa, percepção crítica e sensibilidade artística.

Utilizando o talento de escritor passou a ouvir as histórias contadas pelo próprio médium, além de amigos próximos e pessoas simples da cidade. Ouviu carinhosamente todos os depoimentos prestados e depois com calma, começou a traçar o trabalho entorno do conteúdo obtido.

Pautado pela disciplina e a observação do educador atento, analisou o material de campo, lendo e relendo com absoluta atenção por diversas vezes, a fim de compor um documento literário que pudesse atender aos leitores ávidos por saber um pouco mais sobre o médium.

O livro possui 170 histórias sobre a vida pessoal e mediúnica de Chico Xavier, onde mostra desde infância até vida adulta, visando especialmente direcionar os leitores para uma trajetória rica de acontecimentos difíceis, dolorosas e até mesmo hilários.

Chico Xavier não deixa de ser uma lição de vida. Ele, talvez, seja a personificação do amor mais puro e leal aos propósitos da Doutrina Espírita.

Quando lemos os lindos casos contados por Ramiro Gama, parece um roteiro perfeito sobre alguém próximo da ficção, escrito por um experimentado contador de fábulas. Mas não, trata-se do depoimento legítimo e verdadeiro sobre uma pessoas que passou pela vida dedicado a caridade ao próximo.

O livro revela uma alma cândida desde dos cinco anos de idade, quando sua mãe desencarna e o pai, um vendedor de bilhetes com dificuldades, resolve distribuir os filhos entre os seus familiares. O pequenino Chico Xavier vai então morar com a madrinha, Dona Rita, que lhe aplicava diariamente surras terríveis e garfadas na barriga, além da bizarrice de fazer o menino lamber a ferida do primo, visando curar uma úlcera.

Esse fato contado por Ramiro Gama demonstra as lutas que o protagonista haveria de passar nos seus primeiros anos de vida com a madrinha, mas como a vida escreve capítulos diversos, Chico Xavier recebe a notícia através da mãe que lhe aparecia no quintal, que, brevemente, ele teria dias melhores.

O pai, então, casa-se novamente e a pedido da mulher, ele reúne todos os filhos em casa modesta, mas sob o calor da família. A nova mãe ao ver o pequenino Chico, preenche o carinho maternal que ele tanto necessitava.

Esse formato organizado pelo professor oferece aos leitores a oportunidade de avaliar a trajetória com mais leveza, embora a sequência do seu relato reserve fatos extraordinários.

Na juventude o leitor vai descobrir como é complicado viver com a mediunidade e não saber nada absolutamente sobre ela. Vai tirar conclusões sobre a relação do médium com o Mentor Espiritual, além de conhecer passagens de rara beleza e humildade, chegando as vias do humor pela simplicidade do médium.

Os lindos casos são marcados por ensinamentos maravilhosos, onde se vê um Chico Xavier diante de uma época diferente, considerando os dias atuais. Entrando na fase adulta desperta o homem cônscio de suas obrigações sem perder a ternura, a disciplina mediúnica e o amor às criaturas de Deus.

O livro enfim, mostra a personalidade de Chico Xavier e as suas escolhas morais, onde podemos tirar as nossas conclusões.

Finalizando, devo acrescentar, que muitos desses contos são mencionados pelos inúmeros expositores espiritas por todo Brasil nas reuniões públicas, ilustrando os nossos conceitos de vida.

Para os que acham a vida dura demais, Chico Xavier nos deixou o seguinte lembrete, ao responder certa vez uma pessoa que achava que as lutas eram complicadas demais:

- ¨Eu não vim ao mundo para ser banhado em águas de rosas¨.

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