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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2013

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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espiritos maus   Dizem-nos os Benfeitores Espirituais que o processo de regeneração do nosso planeta já está em curso. Levas de espíritos do bem estão reencarnando com a missão de alavancar o progresso moral da humanidade. Notícia animadora, sem dúvida.

   Mas informam ainda que, junto a esses, estão retornando ao cenário terrestre espíritos comprometidos com as zonas inferiores nas quais estagiaram por séculos. Por uma questão de livre-arbítrio, nem todos os que se encontram nessa situação desejam se modificar, continuando na Terra a praticar os mesmos desatinos que marcaram suas trajetórias até então. São aqueles que, afinados com seus padrões vibratórios inferiores, trazem tanta violência, dor e sofrimento por onde passam.

   No entanto, se Deus lhes deu a oportunidade de nova vida, é para que busquem se regenerar, caminhando rumo ao progresso espiritual. Pensemos, pois, de que forma isto poderia se dar.

   Todos os espíritos, mesmo o saído das trevas, nascem frágeis e indefesos. Essa vulnerabilidade, dizem os Imortais, é um meio utilizado pelo Criador para tocar o coração daqueles que são os responsáveis por trazê-los ao mundo. É desta forma que, em uma linguagem inarticulada, eles fixam o olhar nos olhos da mãe, como a lhe dizer da confiança que depositam em suas mãos. E, ante as situações de dor e desconforto, choram pedindo ajuda.

   Imaginemos um espírito com grandes débitos do passado que, diante das suas primeiras conquistas como andar e falar, fosse afagado e estimulado a continuar. Depois, quando suas tendências inferiores começassem a surgir, os pais ali estivessem para corrigi-lo. E assim, zelosos e conscientes de que Deus colocara em suas mãos um espírito milenar, que retornava ao plano terreno para progredir, agissem como anjos da guarda, apontando-lhe os caminhos retos, orientando-o sobre as regras de bem proceder, aconselhando-o e encorajando-o para que adquirisse os valores necessários para a sua evolução espiritual. Recebido desta forma, esse espírito iria coletando experiências amorosas capazes de abafar aquelas trazidas do passado, galgando degraus importantes na sua evolução.

   Em quantos lares isto se dá? Espíritos difíceis estão sendo bem recebidos? A nova reencarnação está se revelando capaz de transformá-lo em uma pessoa melhor? Receio que não.

   Por isso, é sempre com um aperto no coração que leio notícias sobre jovens que enveredaram pelo caminho do crime. Quantas vezes, diante de fotos estampadas nos jornais, ponho-me a imaginar como teria sido a infância daqueles "menores infratores"? Não me canso de indagar que tipo de tratamento receberam antes que chegassem ao ponto em que se encontram.

   Convivendo com crianças nascidas em ambientes onde imperam a violência e os desvios morais, vibro de alegria quando percebo alguma em condições de romper o círculo sufocante em que vivem, tal como o Pedro, um garoto de 12 anos que conheci em um projeto social desenvolvido em um bairro de periferia de Niterói, onde atuo como voluntária. Chamou-me a atenção a sua instabilidade emocional e sua agitação. Apesar de extremamente inquieto, cumpre todas as tarefas propostas pelos coordenadores nas atividades das quais participa. Quando termina, passa a incomodar os demais: implica o tempo todo, não acata ordens e, se alguém o enfrenta, parte para a agressão física e verbal.

   Sempre que chego, é um dos poucos que me recebe com um abraço. Um dia desses, confidenciou-me: "Minha avó já perdeu três filhos." Percebendo o meu interesse, convidou-me para sentar do seu lado e me expôs, então, um quadro de tragédias que culminou em mortes violentas, fruto de confrontos entre traficantes e policiais. Entre os transgressores mortos, dois eram seus tios. Morreram diante dos seus olhos atemorizados. O terceiro contraiu HIV e também desencarnou ainda jovem. Quando terminou o relato, perguntei-lhe se era isto que queria para a sua vida. Sua resposta categórica mostrou-me o quanto deseja ser ajudado: "Não. Eu não quero isto para mim."

   Levá-lo para um projeto sócio-educacional foi parte da decisão da família de se afastar dessa trilha perigosa. Agora, educadores e psicólogos estão empenhados em ajudá-lo a se tornar um homem de bem. Apesar das suas dificuldades comportamentais, ele vem desenvolvendo a afetividade de modo satisfatório.

   Quando tudo conspira contra, é preciso que sejamos pacientes e confiantes no Poder Maior para estender nossas mãos a meninos como Pedro, tal como fazem os que, no mundo afora, criam ou colaboram com projetos sócio-educacionais como o que o acolhe. São iniciativas que, sem dúvida, concorrem para a regeneração do nosso planeta.

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