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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2019

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Em busca de entender por que tantos homens e rapazes encabeçam as estatísticas de violência e suicídio, venho encontrando artigos em publicações científicas e na mídia, em geral, que tratam do tema de uma forma extremamente variada. Em um ponto, porém, parece haver concordância: a forma como se educam os meninos.

Renascer em um gênero ou no outro, segundo aprendemos no Espiritismo, depende do tipo de experiência que o espírito necessita passar a fim de ajudá-lo a acender rumo à perfeição, destino final de todos nós.

Dependendo das condições onde se renasce – a cultura, o tipo de família, as crenças, costumes, tradições, o contexto socioeconômico, visão de mundo –, podemos ter um modelo de masculinidade, que ainda pode ser afetado pelas experiências vividas pelo ser em reencarnações pregressas.

Termos como masculinidade tóxica vêm sendo usados para designar comportamentos violentos e abusivos de homens, e está, geralmente, associado a características como força, poder e dominação, presentes nas relações com outras pessoas – homens ou mulheres – tidas como mais fracas, com as quais briga, ofende, humilha e maltrata. É tóxico porque costuma fazer mal, tanto ao outro, como a si mesmo, uma vez que os padrões de masculinidade exigidos por esse modelo implicam conter, negar ou esconder as próprias emoções, a não externar fragilidade e a não pedir ajuda, nem mesmo quando a saúde mental dá mostras de estar comprometida.

Como ocorre na maioria dos aspectos da personalidade que se consolidam na maturidade, a maneira como educamos o menino desempenha um papel crucial na forma como ele irá desenvolver e manter o seu padrão de masculinidade. E essa não precisa ser tóxica. Muito ao contrário. Pode ser uma masculinidade que, mesmo mantendo características físicas, como a força e a energia, se revela em uma infinidade de traços e comportamentos que nada têm de doentio ou abusivo.

Frases como “Menino não chora”; “Isso é coisa de menina”; “Bateu, levou”; “Seja homem” ou insinuações como: “e as namoradinhas?”, proferidas, muitas vezes, de forma natural, deveriam ser evitadas. Vinda de pessoas consideradas significantes pelos meninos, têm o poder de moldar a sua personalidade, levando-os a incorporá-las como verdades que irão se exteriorizar mais adiante.

Garotos que brigam e se agridem sob os olhos indiferentes de homens que nada fazem para desapartá-los crescem convictos que é dessa forma que devem atuar diante dos enfretamentos, na vida. Meninos que testemunham atitudes machistas e desrespeitosas dos homens do seu entorno, em relação à mulher, estão propensos a considerar naturais essas atitudes, replicando-as, mais tarde.

Nosso papel de educadores exige que, percebendo as consequências negativas de tais frases e comportamentos, façamos o possível para eliminá-los da vida dos nossos meninos, incentivando-os, ao contrário, a externar suas dores e sofrimentos, sem se sentir envergonhados ou diminuídos se as lágrimas brotarem dos seus olhos. Na certeza de que estamos agindo em prol do seu bem, ofereçamos-lhes nossos conselhos no sentido de evitar revides, a tratar a todos com educação e gentileza, a não se envolver com meninas – às vezes precocemente – apenas para provar que é homem.

Por maior e mais difícil que seja esse desafio, vale a pena tentar superá-lo, a fim de que tenhamos uma geração de homens mais solidários, companheiros dos que lhe estão próximos – sejam outros homens ou mulheres –, sensíveis e generosos para com todos. Uma geração que estará menos propensa à depressão se puder vivenciar e expressar os seus medos; falar dos seus anseios e das suas dúvidas existenciais; das suas dores e angústias. Fazendo do respeito ao próximo sua diretriz de ação, terá menos chances de atentar contra a vida alheia ou sua própria pelas portas do suicídio.

Apesar de ainda persistirem modelos equivocados e doentios de masculinidade, constatamos, felizmente, que um novo olhar já se instalou em um número incalculável de lares. Meninos e homens são incentivados a entrar em contato com seus sentimentos e a desenvolver atitudes que os façam agir como pessoas equilibradas e pacíficas. E nós, na condição de pais e educadores, temos um papel ativo na construção de uma masculinidade mais saudável e benfazeja.

Continuemos, pois, a fazer a nossa parte, a fim de vermos crescer e se consolidar, em toda parte, uma geração mais consciente de que o gênero não nos distingue enquanto seres trilhando o caminho da evolução espiritual. Só assim viveremos em uma sociedade mais igualitária e mais humana.

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