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       A paciência é um hábito que precisamos criar e cultivar. Somos impacientes, e a impaciência é um hábito também arraigado em nossa estrutura espiritual ao longo de nossas multifárias existências, gerando efeitos fisiológicos desagradáveis, como o estresse e a raiva. Pessoas iradas são mais propensas a ter câncer, a sofrer problemas cardíacos, dificuldades intestinais e estomacais.

       Emoções mais agressivas, como a impaciência e a fúria, afetam uma seção do cérebro, pondo em funcionamento o sistema medular suprarrenal. A parte interior (medula) das cápsulas suprarrenais libera substâncias químicas conhecidas pelo nome geral de catecolaminas, sendo uma delas a adrenalina. Esta acelera o ritmo cardíaco, eleva a pressão arterial e faz subir o nível dos ácidos graxos no sangue. Essa ativação prolongada ou repetida pode provocar enxaqueca, hipertensão e mesmo distúrbios das coronárias e derrame.

Jesus afirmou: “Pela vossa paciência possuireis as vossas almas”. (1)

Escreveu o insigne mestre Allan Kardec em seus comentários: Educação moral é a arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. (2)

Precisamos treinar a paciência racional e operosa, não a paciência aparente na calma dos gestos ou na ação preguiçosa, pois a preguiça é a mãe de todos os vícios. Treiná-la como se treina qualquer atividade física ou psíquica para a possuirmos, pois a repetição faz o hábito.

Treinar a paciência é adquirir paz, porque a paciência é a ciência da paz. Quantas vezes por dia nós suportamos as pequeninas contrariedades com paciência? Quantas vezes nós recebemos um companheiro de trabalho, tachado de chato, com ternura, perdoando-lhe de antemão qualquer olhar de desaprovação, de cólera, que ele nos enderece? Quantas vezes conseguimos olhar para as pessoas com amor, sem aquele olhar de crítica?

Quando mudamos o hábito, reprogramamos nosso cérebro criando novas sinapses, novas conexões de neurônios. Hoje a neurolinguística, a psicologia positiva e a neurociência estudam formas de adquirir e mudar os hábitos que nos influenciam ao ponto de comandar nossas vidas.

Escreve com propriedade em O Evangelho Segundo o Espiritismo, um Espírito amigo, que não se identificou, na época, entretanto, hoje, conhecemos sua identidade:  é a Veneranda Joanna de Ângelis.  Ela possui duas páginas em O Evangelho Segundo o Espiritismo: A paciência, no capítulo IX, item 7; e: Dar-se-á àquele que tem, no capítulo XVIII, item 13.

Na página intitulada: A paciência, ela escreve:

“Sede pacientes. A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei da caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, conseguintemente, muito mais meritória: a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para nos porem à prova a paciência”.

“A vida é difícil, bem o sei, compõe-se de mil nadas, que são outras tantas picadas de alfinetes, mas que acabam por ferir. Se, porém, atentarmos nos deveres que nos são impostos, nas consolações e nas compensações que, por outro lado, recebemos, havemos de reconhecer que são as bênçãos muito mais numerosas do que as dores. O fardo parece menos pesado, quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte”. (3)

Devemos nos esforçar para sermos pacientes e suportarmos os defeitos dos que nos cercam, porque nós também temos muitos defeitos e eles precisam ser suportados pelos outros. Se ainda não somos como gostaríamos de ser, pacientes e tolerantes, por que exigir que as pessoas se comportem diferentes de nós?

Temos obstáculos, problemas, enfermidades? Iremos vencê-los se utilizarmos a paciência, a fim de não descambarmos em sofrimentos maiores. Façamos como a ostra que, ao ser ferida, libera pacientemente como defesa para acabar com o seu sofrimento, uma substância chamada nácar em sua concha, produzindo a pérola, uma linda joia de alto valor.

Muita paz!

 

Notas bibliográficas:

1 – Bíblia Sagrada – Lucas, cap. 21, vers. 19 – Padre Antônio Pereira de Figueiredo e Holy Bible – capítulo e versículo iguais – The Gideons International.

2 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Parte 3ª, capítulo III, comentando a questão 685 – Feb.

3 – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – cap. IX, item 7 – “Um Espírito amigo” – Feb

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